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Colheradas sobre LITERATURA, CINEMA, MÚSICA, SONHOS e AMIGOS.
COLHER também desencava umas COISAS DO PASSADO entre outras coisas que nem ela mesma sabe.
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Quinta-feira, Novembro 27, 2008
ESTOU ADORANDO ESSA ONDA
já usei essa foto faz pouco tempo; mas que mal há nisso, em meio aos resquentes todos? Machado de Assis. Eu acabo de terminar o semestre cheia de leituras dele descobrindo que a Globo vai lançar uma minissérie, tudo bem, meio óbvia, mas é Capitu. Requentando também o foco nela, que me parece ecos do filme do Paulo Saraceni com roteiro do Paulo Emílio e Lygia Fagundes Telles. Ainda mais requentado porque quem faz Capitu é Maria Fernanda Cândido. Mas já não bastava ela ter feito aquele filme vergonhoso, chamado Dom, que se diz inspirado na obra do Machado? Ok, ok. Podia ser melhor, mas Luiz Fernando Carvalho deve ter feito coisas interessantes. O site da série tem uma idéia ótima, a dos rabiscos com giz que vão se apagando, se sobrepondo. Mas requentando, no entanto: a trilha da série é de rock, tem Beirut e Black Sabbath. Vos parece Maria Antonieta de Sofia Coppola, ou é impressão minha? Pra terminar, um último resquente louvável da Globo: a leitura online de Dom Casmurro, Mil Casmurros, feita por internautas - eita! Nessa eles foram rapidinhos. Isso porque agora em setembro, uma pesquisadora francesa, Véronique Aubouy, lançou um site que pretende reunir a leitura de toda Em busca do tempo perdido, de Proust, feita por internautas do mundo todo: Le Baiser de la matrice. É uma empresa de muito maior esforço, convenhamos. Mas sei lá, ao menos a série vou tentar assistir na televisão. 00:59 Domingo, Novembro 23, 2008
REFLEXÕES ACERCA DE
eu gosto de tirar as asinhas do tipo de pipoca aí à direita, e transformá-la no tipo à esquerda... pipoca. Gosto muito de pipoca. Não sei que tipo prefiro: doce ou salgada? Tanto é que ao pedir ao pipoqueiro, tem que ser metade doce, metade salgada. Adoro comer as duas juntas. Hoje em dia se faz pipoca em microondas, nem se vê a cor do milho antes de estourar. Não tem aquela coisa da manteiga esquentando e da tampa da panela que parecia que ia voar. Eu tive vontade de ter aquela pipoqueira que era um brinquedo de criança, uma lâmpada que esquentava o milho - como vários dos brinquedos de criança cheios truque, a gente não teve a pipoqueira. Em compensação, tive o gravador da Gradiente colorido e o tearzinho para fazer tecidos! Mas esses são assuntos para depois. Eu achava o máximo a transformação do milho, pequeno, amarelinho e duro numa pipoca: branquinha, enorme e macia! Numa curiosidade científica imensa, eu fiz mais de uma vez o seguinte experimento: coloquei um grão de milho numa panela pequena com óleo. Ficava olhando atentamente a transformação. Mas é realmente rápido o processo todo. Antes do milho explodir ele fica se sacudindo. Agora me informando na Wikipédia, isso acontece porque há água dentro do grão, que se transforma em vapor. Que existem dois formatos padrão: o cogumelo e a borboleta - eles estão ali em cima, cogumelo à esquerda, borboleta à direita. Que os índios da América conheciam pipoca desde 3000 antes de Cristo; quando chegaram os espanhóis, eles vendiam pipoca para os marinheiros. Que a pipoca só ficou popular no mundo inteiro por conta da crise de 29. Americano nenhum tinha dinheiro para comprar candies - e pipoca sempre foi barato, exceto em cinema, onde acho o preço um absurdo! E fiquei sabendo também - que horror - que pipoca é altamente calórico... triste. 22:26 Sábado, Novembro 22, 2008
UM SONHO FEITO
de pelo menos três filmes, com certeza outros mais fizeram parte dele. Consigo citar com certeza Vicky Cristina Barcelona, Cashback e talvez, Vanilla sky, por conta da presença de Penélope Cruz.
procurando fotos vi que a Penélope tem uma irmã mais nova muito parecida com ela Pronto, a primeira personagem, Penélope Cruz, que pode se transformar de uma hora para outra. Tem vezes que ela aparece como uma loira, a escolher: Scarlet Johansson, que faz 24 anos hoje, ou a loira de Cashback, Emilia Fox.
Há também o mocinho, que é o carinha triste, Ben, o personagem principal de Cashback.
Ele tem um amigo. E tem um emprego chato, com pessoas de escritório que fuçam a vida dos outros, tomam café todo tempo, fazem natação. Ben, vamos chamá-lo de Ben, faz natação também, na própria empresa, em grandes piscinas. O lugar onde trabalham é bem grande, ele pode escapar às vezes para ficar quieto com Emilia Penélope, uma moça linda e delicada, que se apaixonou por ele. Nada mais bucólico: os dois calmos, sob o sol, enquanto o pessoal trabalha, ou finge que trabalha, falando de futilidades.
Ben apresentou Emilia Penélope ao amigo (aí fica meio parecido com Vanilla sky), e o amigo bem-sucedido e bobão se apaixonou por Emilia Penélope. Mas mesmo isso não afetou o idílio com Ben. Ela era simpática com o amigo bobo, os três saíam juntos, mas ela era inteiramente apaixonada por Ben. O amigo não se dava conta disso - realmente como acontece em Vanilla sky. Emilia Penélope já tinha sido assediada por homens insensatos, de camisa e crachá. Um ex-chefe, alguns vizinhos. Agora tinha encontrado alguém que a entendia, um menino melancólico como ela já fora. Chegam um dia ao novo apartamento dela. Ela já tinha morado em lugares lindos, uma cobertura com muitas janelas, num bairro agitado, cheio de amigas mas também cheio de armadilhas. Agora não. De um minuto para outro, não é mais Emilia Penélope que está com Ben, mas uma mulher sem idade, sem nome e sem coração, num apartamento sombrio. Ela começa então a dizer coisas horríveis a Ben. Ele não acredita no que ouve. Eu não sei exatamente o que a mulher transformada pode ter dito, mas foi de partir o coração. É só imaginar as duas cenas de fúria feminina em Cashback. As moças enraivecidas só tem movimentos faciais, mas nenhuma palavra sai delas.
"Como um amor tão perfeito pode de uma hora para outra se transformar em algo tão doloroso?", era o que se perguntava Ben, que ia embora do apartamento da mulher que tinha sido Emilia Penélope. Sozinha no apartamento, ela se olha no espelho e vê que não é mais Penélope Cruz, nem Scarlet, muito menos Emilia - mas poderia bem ser Monica Cruz, a irmã de Penélope. É uma mulher nem jovem nem velha, um tipo de bruxa que enfeitiça os rapazes sentimentais. Ela percebe que um rato está fazendo xixi no seu banheiro, e sombras que esfaqueiam uma mesa, atrás da cortina do box. Aí estamos muito mais perto de Psicose ou Delicatessen, com toques de Tim Burton. É quando ela decide ir à sala e a televisão está ligada, alguém no sofá, vestido de calça de moletom, se mexe. 12:21 Quinta-feira, Novembro 20, 2008
UM DIA, SEM MAIS
nem menos, acaba. Assim. Fiquei triste, tentando recuperar o sabor dos churros da Mooca, agora ao saber que o endereço escondidinho da rua Ana Néri vai virar despachante.
Foi numa ocasião bem estranha que conheci os churros: passei a noite acordada, conversando com uma amiga na casa dela, vendo filme, televisão. O padrasto dela acorda e me oferece uma carona. Não estava longe de casa mas tudo bem. Já no carro, ele tem a idéia de me levar para conhecer os churros. Ele conhecia o seu Toninho, comemos uma roda e ele levou outra para viagem, para a minha amiga e a mãe dela. Me falou que nenhuma delas gostava de sair com ele, nenhum passeio, nenhuma das festas do clube judaico, fazia tudo sozinho e se entristecia com isso. Ele dizia ser descendente direto de Moisés (aquele mesmo, da cestinha no rio, dos dez mandamentos...), tinha o mesmo nome. Vibrava na frente da televisão com a política de Israel, mesmo sendo árabe. Alto, uma estrela de Davi no pescoço, fumando um cigarro atrás do outro, era desengonçado e engraçado - como um Serge Gainsbourg. Fazia comércio de tecidos no Bom Retiro. No caminho até minha casa, me prometeu que arranjaria um emprego ótimo para mim, que tinha acabado de pedir demissão da locadora onde trabalhava. Fazia frio aquele dia. Naquele ano o inverno foi muito rigoroso. Continuou dizendo que eu tinha um bom futuro pela frente, que eu precisava esquecer o menino de quem eu gostava e que não gostava de mim. Me pediu um abraço ao ir embora. Eu o vi poucas vezes depois disso, ele se separou da mãe da minha amiga. Nem a vejo mais, e agora nem os churros mesmo. 17:54 Segunda-feira, Novembro 17, 2008
COISAS ESPARSAS
que me vêm à mente agora: 1) Sonho com um prof chatinho, estou cansada das aulas dele; quarta é prova, de verdade; sonhei hoje que ele entregava as provas para a sala toda e para mim não dizia que média eu tinha tirado, só me respondia: "Sua média é o máximo que você pode tirar, parabéns". Eu sabia que não era dez... hehe. Pessoas que nem falam comigo me davam indicações de leitura e me mostravam a capa de um livro que achei de gosto duvidoso. E fiquei obviamente sonhando como seria a manhã de hoje.
sinceramente, que capa é essa para um trabalho de cunho "acadêmico"... 2) Durante uma prova de hoje, fiquei refletindo sobre a minha letra; se ela teria o poder de seduzir a professora para que ela fosse branda com a nota, não ligasse para o fato de que eu não consigo decorar coisas. Sempre escapei de provas na faculdade, já estou mais calma com relação a isso, mas não consigo nunca escrever de um fôlego só. Tenho que começar a lápis e passar a caneta por cima, dentre uma versão e outra muda muita coisa. 3) Não vejo a hora de acabar logo essa semana. 16:42 Sábado, Novembro 15, 2008
NO COMEÇO ERA ASSIM
2 Abraäo gerou a Isaque; e Isaque gerou a Jacó; e Jacó gerou a Judá e a seus irmäos; 3 E Judá gerou, de Tamar, a Perez e a Zerá; e Perez gerou a Esrom; e Esrom gerou a Aräo; 4 E Aräo gerou a Aminadabe; e Aminadabe gerou a Naassom; e Naassom gerou a Salmom; 5 E Salmom gerou, de Raabe, a Boaz; e Boaz gerou de Rute a Obede; e Obede gerou a Jessé; 6 E Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi gerou a Salomäo da que foi mulher de Urias. 7 E Salomäo gerou a Roboäo; e Roboäo gerou a Abias; e Abias gerou a Asa; 8 E Asa gerou a Josafá; e Josafá gerou a Joräo; e Joräo gerou a Uzias; 9 E Uzias gerou a Jotäo; e Jotäo gerou a Acaz; e Acaz gerou a Ezequias; 10 E Ezequias gerou a Manassés; e Manassés gerou a Amom; e Amom gerou a Josias; 11 E Josias gerou a Jeconias e a seus irmäos na deportaçäo para Babilónia. 12 E, depois da deportaçäo para a Babilónia, Jeconias gerou a Salatiel; e Salatiel gerou a Zorobabel; 13 E Zorobabel gerou a Abiúde; e Abiúde gerou a Eliaquim; e Eliaquim gerou a Azor; 14 E Azor gerou a Sadoque; e Sadoque gerou a Aquim; e Aquim gerou a Eliúde; 15 E Eliúde gerou a Eleázar; e Eleázar gerou a Matä; e Matä gerou a Jacó; 16 E Jacó gerou a José, marido de Maria... Pela minha educação religiosa passaram várias perguntas não-respondidas. Tanto as mocinhas catequistas quanto as mais senhoras, inclusive a dona Cecília, que tinha por acaso nome da santa da igreja - isso era o máximo, ela cantava em todas as missas, lia grande parte dos textos, etc. - me davam respostas insuficientes. Algumas das perguntas que eu fazia: - Como é que se fabrica as hóstias? - Então maçã é um fruto proibido? - Qual a razão para Deus mudar de nome - Javé, Jeová? - Quantos santos existem até hoje? - E São Jorge? No segundo ano da catequese eu ganhei uma Bíblia de verdade, de capa azul. Era enorme - como a gente ia ler tudo aquilo? Então me disseram que não se lê toda a Bíblia, que o Novo testamento é mais importante. Eu pegava e tentava ler a Bíblia inteira. Também cheguei a levar algumas vezes a Bíblia na missa para acompanhar a liturgia mas me disseram que aquilo era coisa de crente. Não sei se algum dia eu cheguei ao fim do Gênesis, mas eu achava legal ler a formação do mundo. Uma outra opção era pegar e começar pelo Novo testamento. Vinha logo de início toda a genelogia desde Abraão, com um detalhe muito importante, só contam os primogênitos. Já pensou se fosse colocar os filhos que todo mundo teve? E antes dele, poxa? E quem é que teve que ter filho com quem para que tivesse mais gente na terra? Eva com o Caim, que matou Abel? Adão com a filha de Abel, seu filho? Os irmãos entre si? E porque hoje isso não pode? E porque Abraão teve mais de uma mulher, e teve filhos com as empregadas das esposas? Que tristeza essa vida no começo... com nomes de pessoas que a gente não usa mais, estranhésimos, junto de outros que as pessoas ainda usam. Isso porque também a gente falava de dinossauros, era moda na época, Jurassic Park e tudo o mais, e eles não aparecem no Gênesis. As coisas também eram diferentes do Elo perdido, aquela série que aparecia no SBT. De qualquer maneira, a vida naqueles tempos era muito dura, Deus castigava e muita gente morreu no dilúvio e nas pestes. Eu pelo menos gostava quando me chamavam para ler durante a missa. 17:56
REPETIREPETIREPETIR
7: Hedluv & Passman, Party song
Não poderia faltar Hedluv & Passman no repetir. Até porque eles são nossos queridinhos e estão deixando saudades. A passagem deles por São Paulo não foi tão rápida que eles não ficassem com vontade de voltar pra cá. E vão voltar mesmo, já prometeram isso. Ano que vem! Party song é uma das últimas faixas do mais recente álbum de Hedluv, Cosmic sounds. "The holy grail of casio rap pop", segundo ele, mantém as linhas das músicas anteriores: a simplicidade feliz das batidas e do tecladinho Casio e as letras. Ele continua emaranhando ainda e sempre Super Mario - Cosmic sounds - a vida cotidiana - H30 luv - a terra natal, o sudoeste - 'druth. E não podia faltar as músicas que falam de músicas - como My 3 notes e Caterpillars, que são demais. Segundo a dupla, eu gostei de Party song por conta do toque de bossa nova, que eu sinceramente não tinha identificado como tal. Tudo bem! A música é das mais felizes, abusando na sobreposição das vozes dos dois, assim como na romântica-tristinha que segue - Big mistake? Voltando à terra natal, depois de tantas horas de vôo, eles vão fazer o primeiro show oficial na cidade deles, Redruth. E além disso, além de umas fotinhos que tiraram aqui, deixaram à disposição no site o Christmas rappin' para quem quiser mixar! Ou para quem prefere, criar uma nova letra para a música. Quem não tem talento nem para uma coisa nem para outra, pode assistir o clipe, gracinha como sempre. 11:01 Domingo, Novembro 09, 2008
SONHO NUM SONHO
chegava como se fosse de helicóptero a Lyon, com uma professora que está indo para lá. Ela observava que na período de tempo que separava as duas visitas dela à cidade, muita coisa tinha mudado. Entre as construções renascentistas, as casas com corredores e escadas de caracol que (realmente elas são assim) levam a outros corredores e escadas, atalhos para encurtar o passeio pelas ruas (tem um nome para isso: traboule), havia torres esguias, modernas e brilhantes. Altas e pontiagudas. Modernidade.
Acho que foi por lá que eu procurei um armazém, cujos proprietários eram Paulo Goulart e Eva Wilma. Parecia que o armazém se encontrava na Paim com a Frei Caneca, mas tudo bem. Era tudo meio antigo, como se fosse vinte anos atrás - vinte anos atrás já é antigo, hein?
Precisava de uma boa faca para cortar um pedaço de queijo. Foi o que pedi. Eles me atenderam, mas como se zombassem da minha cara. Ficaram perguntando se eu bebi vinho demais para não conseguir cortar queijo. A questão era somente que eu não tinha faca - disse eu - Eu não bebi vinho não. Ao que Eva Wilma pergunta: - Ah, isso porque você gosta de drogas mais pesadas, não é mesmo? Percebi que Paulo Goulart estava gravando nossa conversa numa fita cassete enquanto eu cortava a peça de queijo em cubinhos. Fiquei brava, perguntei porque gravar isso. Eles: - Para ter provas de que você toma drogas. Peguei uma faca para me defender. Eva Wilma queria me atacar. No embate, eu consegui jogar uma faca nela e cortar a mão esquerda. Fugi para uma casa na Frei Caneca, que não existe mais porque virou estacionamento e agora está se tornando um prédio de 20 andares. Lá nessa casa, os portões eram de metal decorado, pintado de verde. A horta era grande, com vários legumes e folhas crescendo verdinhos. O quintal não tinha muro que separasse das outras casas. As meninas conversavam com os meninos, e depois voltavam para casa. Um vôo de helicóptero de novo, mostrava que o armazém foi demolido, virou um terreno fechado por tapumes. Um pouco antes, onde eu pensei que ia virar um prédio construíram uma grande casa colorida em que abriram um restaurante vegetariano. O sonho termina com o vôo de helicóptero, esperando os créditos do fim do filme, uma música tocante, e eu chorando com a cabeça no travesseiro. Por isso é o sonho num sonho, porque ao realmente acordar eu não estava chorando. ALGUMAS OBSERVAÇÕES
- o bairro renascentista de Lyon é um dos pontos mais visitados da cidade. Ouvi no rápido passeio que fiz à cidade, um fim-de-semana, que alguns anos atrás as casas renascentistas e as traboules estavam inteiramente degradadas, tanto que cogitou-se demolir tudo e fazer um bairro moderno. Imaginem só. Hoje em dia ele é habitado pelas classes médias altas, e está cheio de coisinhas para turista ver. Inclusive as traboules. Ao lado da basílica, os republicanos fizeram uma torre que parece a Eiffel, o finalzinho dela. Hoje, como a Eiffel, é uma ótima antena. - eu me perdi em Lyon. Mesmo. De não saber para onde ir. Adoro ficar vagando sem rumo, eu tenho um bom senso de direção. O problema foi que guardei de memória (adoro também guardar certas coisas só de memória) o endereço de onde estava e era o endereço errado. Como resolvi isso? A pessoa que me hospedou estava sem celular, eu também sem celular, com poucas unidades no cartão de telefone, ligo para o Luís, que me salva abrindo meu email, pegando o endereço correto e achando o lugar pelo Google earth. Tecnologia serve para isso. - a primeira foto foi tirada num ponto alto. Dá pra ver o bairro renascentista (Saint-Jean? pode ser), um pouco escondido pela vegetação, um dos dois rios que cortam a cidade, e indo mais ao fundo a região mais moderna. O prédio grandão é chamado carinhosamente de "o lápis". - demolições me deixam muito triste. Muitas estão acontecendo aqui perto de onde moro. No sonho mesmo, ou ao acordar, fiquei pensando no que pode ter sido demolido no lugar do prédio onde eu moro. Mais provável que antes aqui não tenha tido nada... 11:50 Quinta-feira, Novembro 06, 2008
VAI ASSIM MESMO
com um pouco de pressa, do jeito em que escrevi no caderno antes da aula de um professor que, numa prova, elogiou minha letra. Gosto dela, mesmo, por mais que às vezes ela fique ilegível. 19:13 Domingo, Novembro 02, 2008
ERA UMA AULA
totalmente fora dos eixos, o assunto me interessava mas nem tanto. Mesmo assim, fui. Tinha uma apostila enorme, peguei a da professora, a professora de língua francesa dos primeiros semestres de curso, para xerocar. Um aluno impertinente ficava falando comigo durante a aula, fazendo comentários que me tiravam a atenção da aula, que acabou sem que eu entedesse nada da nova forma de abordar a gramática em sala de aula. Os colegas achavam esse cara demais, muito simpático. Tudo bem. Os corredores da Letras cheios, cheios mesmo, de gente. Todo mundo queria ir ao bandejão. Vi umas meninas nos corredores com bandejas do bandejão, o que não acontece. Elas tinham nas bandejas um kide de soja com chich barak, um prato árabe que é uma espécie de sopa de ravioli recheado. Nesse caso, o recheio era de ricota com alho poró. Hum, achei delicioso! Fomos o Luís e eu no bandejão, no central, mas lá não tinha esse cardápio. Era ratatouille com uma salada bem variada, e bife. Chegamos até as bandejas e disse que preferia ir até o bandejão da química, onde tinha o chich barak com kibe. Antes de chegar ao bandejão, encontramos uns casais de namorados. A escada para chegar à química tinha mudado, eram estruturas metálicas frágeis, íngremes. Chegamos lá? Não sei. 12:45
O PRIMEIRO
número da revista Criação & Crítica, do grupo de estudos do qual eu participo, está no ar. Acompanho ainda tudo como recém-chegada, uma feliz marinheira de primeira viagem, pisando em chão novo. 00:14 Sábado, Novembro 01, 2008
NO FILME
Waltz with Bashir, que assistimos sábado passado na sessão da Mostra, a discussão principal é menos o conflito Israel-Palestina (questão controversa...) do que a construção da memória pessoal em meio à memória coletiva, a memória partilhada dos acontecimentos históricos. O que foi realmente vivido por Ari Folman? O que ele não lembra, o que os amigos viveram, o que a História, os relatos oficiais fixaram? A lembrança que não abandona o amigo, que o persegue num pesadelo recorrente, que não chega ao fim, faz Ari tomar-se conta de que não tem o que contar do que viveu na guerra do Líbano. Nada melhor que retratar o processo de reconstrução desse vivido que a animação, muito bem feita, por sinal. Penso nisso hoje vendo a fotinho aí de cima. Ela cabe perfeitamente no porta-retrato de metal que ganhei daquele meu namorado-guarda-civil-11-anos-mais-velho-e-tosco. Ele me deu dois presentes legais, aliás: este porta-retrato, de maneira inusitada, sem embrulho nem nada, algo como "olha, fica pra você isso aqui", e um All Star vermelho. Naquela época era muito difícil achar um All Star, eu rodei lojas e lojas, não tinha nenhum, ele conseguiu um no meu número no centrão. Esse foi presente mesmo, surpresa, embrulhadinho. Fiquei muito feliz com o presente. Talvez ele tenha me dado um CD da Madonna, ou fui eu quem dei, não lembro mais. É esse "não lembro mais" que é intrigante, com relação à foto que fica na estante grande da sala. Não é uma foto muito presente na infância, como as outras que ficam nos plásticos dos álbums, organizadas na caixa de papelão. Não. Acho que aí eu tinha 4, 5 anos. A gente morava em Santa Cecília, estava indo morar em Pinheiros. Me parece que essa porta de bar é em Pinheiros. São poucas as fotos preto-e-branco que eu tenho. Eu até diria que não sou eu na foto, não fosse pela camiseta (vermelha?) com meu nome escrito na vertical. As sandálias são as típicas que eu usava. Desde pequena eu tenho pouco cabelo. O fato de não me lembrar do momento em que a foto foi tirada, e também por não tê-la visto muitas vezes até os 16 anos, me surpreende e me encanta. Voltando a Waltz with Bashir, Ori, psicólogo e amigo do diretor, fala a ele sobre um teste : pessoas olham fotos de cenas típicas de infância. Elas não estão na foto, mas mesmo assim identificam-se nela. São capazes até de contar como foi aquele dia, o que aconteceu, como estavam. Toda uma história que poderia ter sido a delas, como são todas as histórias de infância. No caso da minha foto, pode ter sido assim: um dia eu passeava na rua com meu pai, eu estava com uma camiseta que ganhei da minha tia que vendia roupas, sandália branca. Já morávamos em Pinheiros, ou estávamos indo para Pinheiros, commer macarronada. Chegou um fotógrafo daqueles que ficava na rua e sugeriu tirar uma foto minha. Depois meu pai foi buscar a foto e pagar por ela. O que meu pai poderá dizer sobre essa foto? 23:49 |