COLHER

Colheradas sobre LITERATURA, CINEMA, MÚSICA, SONHOS e AMIGOS. COLHER também desencava umas COISAS DO PASSADO entre outras coisas que nem ela mesma sabe.






Apertar uma colherinha entre os dedos e sentir seu latejar metálico, sua advertência suspeita. Como custa negar uma porta, negar tudo o que o hábito lambe até dar-lhe uma suavidade satisfatória. Quando mais simples é aceitar a fácil solicitação da colher, usá-la para mexer o café.

Julio Cortázar em Histórias de cronópios e de famas











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Domingo, Agosto 31, 2008
CRIANÇA DOS ANOS 80

eu gostava de Titãs.



E muito e muito mesmo, quando foi passando o tempo e fui entendendo melhor o que eles cantavam. Antes eu pulava na frente do rádio em coro com eles:
- Homem de massa, capitalismo selvagem ô ô ô !
Depois comecei a pensar na grande floresta que é o capitalismo selvagem de árvores densas, na selva de pedra (que era até nome de uma novela), e reformulei:
- Homem de mata, capitalismo selvagem...

E era essa entre outras tantas, que eu vibrava e vibrava nos anos 90, quando foi lançada a coletânea em dois volumes, 1984-1994. Meu pai pegou os CDs emprestados no trabalho dele (lá tinha uma cedeteca!). Eu passei os CDs para umas fitas cassete coisas novas deles, como A verdadeira Mary Poppins e Disneylândia, que não foram grande sucessos.

Pouco tempo depois, como toda uma série de mini-revivals dos anos 80, a Mtv lançou o acústico dos Titãs, que foi na época um sucesso. Canções doces, ambientação de cores harmoniosas. Enfim, o que já se sabe. Eles gostaram de cantar mansinho. Que saco.

Cheguei até a criar com a Karen uma espécie de teoria para que o Titãs acabasse. Ninguém mais precisa dos Titãs, principalmente eles mesmos:
Arnaldo Antunes, ótimo, já havia abandonado o barco faz um tempinho.
Charles Gavin trabalha recuperando obras fonográficas.
Belotto escreve romances policiais, apresenta programas no Futura, e, mais importante, é marido da Malu Mader. O casal faz propagandas de Baigon.
Nando Reis escreve lindas canções sozinho, faz sucessos pra Cássia Eller, e bem, ele realmente abandonou a banda.
Paulo Miklos pode ter uma boa carreira de ator de cinema nacional - basta ter papéis de bandidos à sua altura.
Marcelo Frommer morreu atravessando a avenida Europa, mas antes disso escreveu livro de culinária e falava sobre futebol.
Só ficam Branco Mello e Sérgio Britto fora da lista, mas conseguiriam facilmente alguma ocupação mais digna.


21:08

Sexta-feira, Agosto 29, 2008
DUAS COISAS QUE ACHO

desnecessárias de ouvir:
- Nossa, você não era assim....
ou então:
- Oi, quais as novas?
Ainda mais quando esta última questão eu ouvia do dentista que cuidava do meu maxilar.
Não sabia se dizia
- Tenho trabalhado bastante, acho que nas férias vou pra Ubatuba.
ou
- A placa de silicone está me incomodando.


00:53

Quinta-feira, Agosto 28, 2008
UM TANTO QUANTO TRISTE

com a descoberta do Luís. Que os conselhos de uma lagarta, o blog fofo de fotos e vídeos e desenhos da Clara sumiu do mapa. Ela que mineira de dizer uai foi pra Cuba, e agora longe da internet e longe da gente.

00:53

Quarta-feira, Agosto 27, 2008
PRESENTINHO



da Eliane que, pelo que parece, virou uma leitora do meu blog!
E acabou até se inspirando daquele meu texto de dicas de como aprender melhor...
Na capa, tem uma colher de pau, que parece, vem sendo vilipendiada (por quem? alguma daquelas reportagens em programa da tarde?) por ser foco de bactérias na preparação da comida.
Li não sei onde: sim, tem bactéria, mas e daí? Alguém já morreu por causa disso? Vale a pena trocar colher de madeira por aquelas de silicone?
Sei lá.
As colheres de pau são tão bonitinhas...


23:46

Terça-feira, Agosto 26, 2008
OS LINKS AO LADO

é engraçado olhar para eles, aí à esquerda, um atrás do outro. Quando dá, coloco alguma coisa nova, mas é raro. Por outro lado, mais raro ainda é tirar links. Tem página que, me dei conta, não existe mais. Vai saber quantas. Eles estão aí mais pelo que já foi o COLHER, cinco anos atrás. 2003 é um marco legal, um momento em que tudo era confortável, saltitante. Em 2004, acho, sim, é que foi um ano problemático, chatinho, muito cinza.

21:18

Segunda-feira, Agosto 25, 2008
NESTE SÁBADO

sob a justificativa - legítima e nobre - de selecionar vídeos para mostrar aos alunos, fiquei a tarde (oh! tendo tanta coisa pra fazer...) assistindo duas séries francófonas. Digo francófonas e não francesas simplesmente porque uma foi criada no Québec depois exportada para a França - trata-se de Un gars, une fille, cuja versão quebequense eu acho estranhésima e a francesa uma graça.

Caméra café é produto de exportação francês mais recente que Un gars une fille que é bem anos 90, que não emplacou somente no Québec mas em muitas partes do mundo. Inclusive acabou aportando no SBT e lá não sobreviveu por mais do que uns seis meses. Infelizmente o pessoal que cuidou da adaptação aqui no Brasil não entendeu muito o espírito da série tal como ela foi concebida, bem ácida e politicamente incorreta. Na versão do Québec, por exemplo, durante um episódio inteiro uma funcionária fica mostrando o silicone que ela acabou de colocar pros colegas de trabalho, para testar a reação deles, em outro o casual friday é oportunidade para uns funcionários se provocarem. Aí vai uma seleção das versões em diferentes países:


como os italianos são animados, né?

Caméra café virou filme na França, e acredito que a mania dessa série está diminuindo. Tanto que os DVDs das temporadas eram vendidos numa loja de 1,99 de lá... - ha, eu nem comprei! Un gars une fille acabou faz tempo. Os dois atores de Un gars.., que por sinal têm os mesmos nomes dos personagens da série, Alexandra e Jean, acabaram se casando entre uma temporada e outra, influenciados pelos personagens - que gracinha! Jean Dujardin é hoje tem uma carreira promissora no cinema francês. Alexandra Lamy vai ver virou dona de casa, não sei... haha, não! Ela tem trabalhado em várias produções com Jean Dujardin, incluindo uma versão em filme de Lucky Luke, o faroeste francês em quadrinhos, que vai sair em 2009.



O que há em comum entre as duas séries, chegando à conclusão depois de explorar tudo o que há no youtube, é que elas são sketches curtos, com a câmera parada. É isso.


23:26

Domingo, Agosto 24, 2008
SONHO ANOTADO NO CADERNO
entre parênteses comentários que vou fazendo agora

Tinha um tipo de festa anual no Mc Donald's (quando peguei isso pra ler agora, pensei que não era o relato de um sonho), em que toda a loja mudava de visual, seguia algumas linhas temáticas (será que isso existe em algum lugar?). Luís e eu resolvemos ir visitar, por mais que isso nos supreendesse. Na porta, havia uma lista dos temas trabalhados na decoração: muita coisa americana, nomes de lugares, Texas, Kentucky (será que igualmente estavam no sonho Ohio, Mississipi, Minneapolis, Kansas, Dakota, Minnesota, Illinois, Missouri, Tennessee, Idaho, Iowa, Alabama - toda essa região com nomes sonoros, que não era as gloriosas treze colônias - quando me dei conta de que esses nomes têm origens indígenas...) mas também Mardi gras e Rushmore (algo bem americano para ter sido sonhado na França).

Vendo Rushmore logo pensei no filme do Wes Anderson - (por isso) entramos.
Chegando no segundo andar, passamos antes por poltronas fofinhas decoradas, cores muito bem escolhidas. E Rushmore não era o filme, mas o monumento, aquelas caras talhadas na montanha. Tudo bem.


direto da assessoria de imprensa da White House

(só dá vontade de visitar o monte Rushmore por conta do nome do filme e pelos desenhos antigos do pica-pau, que reesculpia o monte à sua maneira)

Lá eu comecei a fazer propaganda de umas roupas meio infantis, camisetas coloridas e cuecas e calcinhas para crianças, com partes de borracha.Não sei se eu, mas uma menina loira usava as roupas, como modelo para incentivar a venda (enquanto as pessoas comiam lanches por trás de papéis de parede bem coloridos).


13:38

Sábado, Agosto 23, 2008
KAREN CUNHA ME LEMBROU

como sempre me lembra do que não lembro. Tenho que agradecer a ela.
Me lembrou que faz dez anos eu namorei por nove meses um guarda civil que tinha dez anos a mais do que eu. Eu contava isso para o pessoal da escola e tenho certeza de que todo mundo achava que era balela.
Ele havia acabado de entrar nessa nova profissão, trabalhava vigiando um dos portões do parque do Ibirapuera. Como tinha uma rotina puxada de policial, eu o via muito pouco, bem pouco para o que se considerava namoro, uma vez por mês. Eu ligava para a casa dele, a mãe atendia. Mandava recados no bipe, às vezes na secretária eletrônica. Calculava quando ele estaria trabalhando e ia ao parque do Ibirapuera. Quando eu também podia, porque na época eu trabalhava no Mc Do. Estava no terceiro colegial, pensando na faculdade, ensaiando Vestido de noiva e Gota d'água na escola.

Ele cada vez que o via, estava com um carro diferente: de fusca passou para chevette para uno mille e palio, ou corsa. Carioca da zona norte, tinha sido seminarista, fã de Cazuza e Simply Red, ex-guitarrista de banda de jazz, estudante que largou a faculdade de psicologia porque ele desafiava os professores. E sabe-se lá mais o quê, tudo muito glorioso para um cara que trabalhava como segurança. Ah sim, importante, tinha uma filha com uma moça seis anos mais nova do que ele.
Um dia me levou para passear de carro com meu irmão. Veio mostrando que sabia dirigir viatura, costurando na 23 de maio, piscando o farol pro pessoal sair da frente. Subiu a ladeira da rua perto de casa na contra-mão. Vergonhoso quando a polícia chegou.
Dei um CD de presente e ele me devolveu, dizendo que não precisava. Numa das visitas aos meus pais, pediu para comer limão com sal.
Justificava as longas ausências dizendo que estava cuidando do coral de crianças da igreja de Vila Santa Catarina.

Eu não ligava pra esse monte de histórias, nem me incomodava de ele cantar "tô com saudade de tu meu desejo", apesar de achar isso razoavelmente brega. E que as histórias dele eram muito infundadas. E que era bem absurdo ele ficar chateado porque eu ia prestar vestibular e entrar na faculdade.
Fui levando até o dia em que fiquei com o Rogério. Depois de uns vinte dias que eu não ligava para ele, ele me liga:
- E aí, tá tudo bem?
- Tá, eu não quero mais te ver.
- Como assim?
- É isso mesmo, acabou.
Era agosto, como agora. Depois me ligou em dezembro, dizendo que eu era alguém especial.
Depois de rememorar tudo isso ontem, o que me deixou espantada é que agora tanto eu como o Luís temos a idade dele. Mesmo assim, ainda bem, acho que estou longe disso. Só uma impressão...

23:22

Sexta-feira, Agosto 22, 2008
ANTI-INVENTÁRIO

Nada como fazer uma lista de algumas coisas não feitas, e que não poderão mais, porque tarde demais:

1. não procurei o tradutor do Corão para o português, que era tio do marido de uma francesa que conheci;
2. não liguei para uma ex-colega de trabalho que queria falar comigo quando voltou a morar em São Paulo, também não tentei saber se ela estava no metrô Santana certo dia;
3. não participei de um concurso internacional de desenho para livros infantis, cujo tema era uma das minhas obras literárias favoritas, Alice no país das maravilhas;
4. não fui recentemente a uma palestra que iria me agradar muito;
5. hoje não fui visitar o museu da língua portuguesa com o professor de literatura especialista no assunto e com a turma toda.

Ainda bem há coisas que não fiz e ainda posso fazer.

18:20

Quinta-feira, Agosto 21, 2008
DEVE FAZER UM ANO QUASE

por um acaso dos acasos vi que uma bandinha feliz sueca (quase uma redundância) vinha inacreditavelmente para São Paulo, Suburban kids with biblical names. Tínhamos ouvido algumas músicas deles na Internet e achávamos que ficaria por aí, as músicas deles levando a outras e mais outras escandinavas.

((Duplo-parênteses: como todo esse povo sueco que já se apresentou mais de uma vez aqui em são Paulo vem pra cá? Eles conseguem ganhar algum dinheiro ou literalmente pagam para atravessar o Atlântico e o hemisfério?))

Então fomos ao Studio SP vê-los. Se a gente soubesse que eles também tocaram no Sesc... o problema do Studio SP onde ele se encontrava antes (agora tá tão pertinho!) era a má organização da "sala de shows", estreita e comprida. O número de fãs das bandinhas suecas era grande, e tratava-se de pessoas razoavelmente sem noção. O que nos fez ouvir as melodias alegres dos garotos suburbanos com nomes bíblicos do lado de fora da sala. Ao menos através de vidros.

Mas quem abriu o show foi uma grande e agradável surpresa pra gente, Luís, eu e acho que o Max também.


gostei da bateria...

Maia Hirasawa. O nome dela não soa bem sueco, né?
Ela cantou sozinha no palco, mais ou menos aí como nessa foto. Nada além de um violão e uma voz como poucas, forte e doce. Assim como as letras das suas músicas, que conseguem ser engraçadinhas e melancólicas, falando de coisas como a ruptura de um relacionamento pelo myspace, ou seu retorno à cidade onde ela tinha morado anos atrás, ou sobre encontrar um cara hiperdesinteressante numa cidade perdida em qualquer lugar na Suécia.
O pessoal sem noção já chegando durante a apresentação, começaram a encher o saco da mocinha, e além disso, um falatório imenso realmente abafava a apresentação.
Uma peninha...



Será que ela volta esse ano na próxima invasão sueca?
Se voltar, fica aqui registrada a minha sugestão: ela se apresentar no teatro do Sesc Pompéia, pra gente ver sentado e sem muito falatório.


23:36

Quarta-feira, Agosto 20, 2008
ESTOU COM FOME

mas como muitas vezes ultimamente, tenho achado comer uma tarefa, uma obrigação.
É o que diz na Bíblia: comerás o pão com o suor do teu rosto. Ai.
Não... Realmente há coisas muito legais de se comer, falafel, salmão, sorvete, leite de soja com polpa de fruta, sopa de mandioquinha no frio... a lista seria imensa. E como eu não consigo fazer listas, priorizar coisas, já viu. Será por que eu escrevi falafel antes de qualquer outra coisa quer dizer que falafel é minha comida favorita? Sei lá, talvez não. E por que não?
Enfim, algumas vezes acho triste comer. Ter que comer sem ter opção, brownie, cookies, croissant de dois queijos. E por aí vai.
Fico em alguns momentos como esse pensando se houvesse a possibilidade de não precisar comer para viver (a gente poderia pagar uma mensalidade no lugar, algo do tipo) eu a escolheria.


23:41

Terça-feira, Agosto 19, 2008
NÃO TINHA MUITA COISA PRA VER

no cinema. De qualquer maneira, a proposta de Sagan não parecia tão ruim, o pôster bem feitinho...



Diane Kurys já tinha feito um outro biopicture literário, a história de amor dos escritores Musset e George Sand (aquela que se vestia de homem). Quando vi, caí na armadilha, gostei, depois me dei conta dos limites... No caso de Sagan, não colou. Simplesmente porque não dá mais para ver história de escritora transgressora, beberrona, que briga com os amigos, torra toda a grana que tem e se acredita ser um gênio, enquanto ninguém dá a menor para o que ela escreve. Sagan não é a única...



Sim, sim, temos um exemplo aqui tão pertinho de nós! Ambos os filmes me chatearam, mas Nome próprio enche mais a paciência do que Sagan, mesmo com os lampejos de pornochanchada, como bem observou o público.


23:58

Segunda-feira, Agosto 18, 2008
MAIS RÁPIDA
do que a ema selvagem, a morena corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.

ALENCAR, José de. Iracema : lenda do Ceará. 28. ed. São Paulo, Ática, 1995, p. 16.

1. Iracema sempre me espantou. Como podia ter o pé tão delicado, uma índia descalça nos perigos e percalços da mata?
2. Eu calçando 39 desde a sétima série, sempre tenho dificuldade em achar sapato. Faz três anos me limito a comprar sapatos caros, não consigo mais não comprá-los. Só abro exceção pra tênis e chinelo havaianas.
3. Na época em que eu ousava comprar sandálias, estourava todas. Não poucas foram as vezes em que tinha que comprar de emergência um calçado novo e tosco, ou quando possível voltava pra casa pra colocar outra sandália.
4. Não uso mais sandália.
5. Tenho dificuldade em fazer enumerações, listas. Isso que acabei de fazer pode ser considerado uma lista?


23:57

Domingo, Agosto 17, 2008
EMPOEIRADOS

alguns textos que estou abrindo hoje no computador antigo. Coisas hiperlegais como posts, emails, conversas no ICQ, coisas que salvei em formato txt, arrumadinhas em pastas um tanto quanto esquecidas. Uma pena, tanta coisa legal, trabalhos de faculdade parados, sem leitor. Tem que ser assim mesmo? Talvez não. Vou tentar ao menos colocar algo aqui, para que ache alguém que possa se servir, ser útil, transformador ou só divertido. Que seja...

Deixo hoje aqui uma tradução que fiz num dos primeiros semestres em que comecei a dar aula. Achei indispensável dar ao menos uma folheada em livros que falassem sobre "como aprender", "como ensinar". Infelizmente a falta de tempo não me deixou continuar esse tipo de leitura, que me interessa muito mas não é uma das prioridades... De qualquer maneira fiz essa tradução, que acho ótimo reler para dar uma renovada nas idéias. Renovar é essencial quando se dá aula. Eu amo dar aula! haha, tenho que repetir isso a mim mesma.

Chega. Aí vai:

Algumas recomendações para você melhorar seu aprendizado em francês
(e em outras línguas estrangeiras)


estratégia 1
Tenha seu aprendizado em mãos

Cada um aprende uma língua de maneiras diferentes. É preciso encontrar as técnicas que funcionam melhor para você.

Sugestões:
- Tente diferentes formas de aprender.
- Pergunte aos outros como eles conseguem aprender.
- Continue a usar as técnicas que parecem eficazes.

estratégia 2
Organize-se

O aprendizado de uma língua depende de um certo grau de organização da matéria: a pronúncia das palavras, o sentido das palavras e das frases, a forma das frases, o que implica igualmente numa organização do próprio aprendizado.

Sugestões
- Organize a agenda de modo a poder estudar fora do horário das aulas.
- Tente aprender alguma coisa nova todos os dias, fora das aulas.

estratégia 3
Seja criativo

Para aprender uma nova língua, você deve se aplicar pessoalmente. O francês vai cedo ou tarde "fazer parte de você". Para isso, é preciso praticar.

Sugestões:
- Tente encontrar a regra que rege as frases que você ouve.
- Tente utilizar as palavras novas em novos contextos. Se você errar, pergunte por quê.
- "Brinque" com a língua.

estratégia 4
Crie suas próprias ocasiões para praticar

Para aprender uma língua, é preciso ser ativo, é preciso praticar a língua. Logo, é preciso encontrar ocasiões para falar, escutar, ler e até mesmo escrever.

Sugestões:
- Faça todas as atividades em sala de aula. Responda para si mesmo todas as questões que o professor faz a outros alunos. Observe os colegas de sala e verifique as respostas deles.
- Não tenha medo de fazer perguntas e de falar com pessoas que falam francês.
- Escute rádio em francês, assista televisão em francês, leia jornal em francês.
- A melhor maneira de praticar o francês é você falar francês.

estratégia 5
Aprenda a viver com a incerteza

Quando aprende-se uma língua, é preciso viver com a ambigüidade, com o inesperado e o incompreendido.

Sugestões:
- Não se apóie muito no dicionário. Ao ler, tente compreender o sentido geral lendo rapidamente o texto inteiro diversas vezes em vez de consultar o dicionário ao achar uma palavra que você não entende.
- Mantenha a calma! Se você não entende o que te dizem, peça para repetir, para falar mais devagar, para reformular. Não tente entender cada uma das palavras. Adivinhe!

estratégia 6
Utilize técnicas para melhorar sua memória

Sugestões:
- Agrupe palavras que rimam ou que começam com a mesma sílaba.
- Faça uma imagem mental do sentido das palavras.
- Tente associar uma nova palavra a outras que você já conhece.
- Tente agrupar palavras de acordo com sua função, categoria, etc.

estratégia 7
Não tenha medo de errar

Errar é natural. Os erros podem ser úteis se você os aproveitar para melhorar seu aprendizado.

Sugestões:
- Não espere poder dizer tudo corretamente antes de falar e de tudo entender antes de ler. Corra riscos! Pratique a língua!
- Tente perceber a diferença entre os tipos de erro que você comete: se são erros que estão de acordo com o sistema da língua (ao se dizer "uma menino", há só uma questão de gênero inadequado) ou se são frases que fogem ao sistema (nenhum falante de português diria "menino um" no lugar de "um menino", por exemplo)
- Tente entender a origem dos seus erros.
- Assegure-se que você entende as correções do seu professor.
- Tente julgar a relativa importância dos seus erros.
- Tente determinar quais erros mais incomodam seus interlocutores.


estratégia 8
Use seus conhecimentos em línguas

Você conhece ao menos uma língua. Todas as línguas se assemelham até certo ponto. Você pode então utilizar (conscientemente) seus conhecimentos em línguas para ajudar no aprendizado do francês.

Sugestões:
- Tente encontrar pontos comuns entre sua língua materna ou outras línguas que você conhece e o francês, no plano da pronúncia, da forma e do sentido.
- Tenha consciência das diferenças entre o francês e sua língua materna, ou outras línguas que você conhece.
- As expressões idiomáticas raramente têm o mesmo sentido e geralmente não se traduzem literalmente.

estratégia 9
Leve em conta o contexto

O sentido de uma palavra ou expressão é quase sempre determinado pelo contexto do enunciado no qual ele se encontra. É preciso então fazer uso do contexto para adivinhar o sentido da mensagem. É preciso estabelecer ligações entre as palavras, os sintagmas, as frases de uma conversa ou de um texto para compreendê-las melhor.

Sugestões:
- Preste atenção às relações entre as palavras.
- Utilize o sentido geral do enunciado para adivinhar o sentido preciso de uma expressão.
- Utilize o sentido geral de uma conversa e de seu contexto para adivinhar o sentido de uma frase.
- Recorra ao contexto social para adivinhar o sentido de certas palavras.

estratégia 10
Aprenda a adivinhar de maneira inteligente

Quando aprendemos uma língua, é importante decodificar não somente a mensagem mas também as intenções de quem fala. Para isso, é preciso utilizar seus conhecimentos do mundo e do que sabemos da comunicação verbal de maneira geral.

Sugestões:
- Tente sempre buscar o contexto geral da mensagem: o lugar, as pessoas, etc.
- Focalize suas atenções às coisas essenciais.
- Use probabilidades contextuais.
- Considere que o "aqui e agora" é pertinente.
- Espere que algumas de suas hipóteses estejam incorretas.

estratégia 11
Aprenda de cor algumas expressões sem as analisar

Em toda língua existem expressões idiomáticas que resistem a uma análise detalhada. É preciso aprendê-las globalmente sem tentar analisar suas partes.

Sugestões:
- Utilize o contexto no qual você escutou ou viu a expressão pela primeira vez para tirar o sentido geral.
- Não tenha medo de utilizar essas expressões e verificar a reação de seus interlocutores.

estratégia 12
Aprenda algumas rotinas e fórmulas

Toda língua tem suas maneiras de começar e terminar conversas, fórmulas para encorajar o interlocutor para continuar a falar, para interromper ou ainda fórmulas para se desculpar, recusar, oferecer ajuda, etc.

Sugestões:
- Aprenda rotinas para dar início e terminar conversas, para saudar e se despedir, para fazer e atender uma ligação telefônica.
- Aprenda fórmulas qui indicam que você escutou, que você entendeu (ou que você não entendeu).
- Aprenda fórmulas que permitam exprimir suas reações, indicar que você está de acordo ou não está de acordo.
- Aprenda a motivar o interlocutor aprendendo fórmulas que o incitem a reagir.
- Aprenda a "administrar" conversas aprendendo fórmulas rituais como: "sabe?", "não é?", "né?", etc.

estratégia 13
Aprenda a utilizar diferentes registros

A maneira com que uma coisa é dita é muitas vezes mais importante do o que é propriamente dito. Toda língua utiliza diferentes registros de acordo com a situação, de acordo com o assunto tratado, etc. Quando aprendemos uma segunda língua, essas variações não são sempre evidentes e temos tendência a nos limitarmos a formas o mais neutras possível.

Sugestões:
- Preste atenção à maneira com a qual o professor se dirige a você. Ele usa o pronome tu ou vós? Ele usa o seu prenome ou seu sobrenome?
- Tente se sensibilizar a variações em geral. Quais fatores interferem? Sexo, idade, condição social, lugar, assunto da conversa?
- Tente reconhecer diversas maneiras de dizer uma mesma coisa.

Traduzido e adaptado de
Cyr, Paul. Stratégies d'apprentissage.
por Ana Amelia Coelho

12:27

Sábado, Agosto 16, 2008
NA QUINTA SÉRIE

começamos a ter aulas de ciências e um fato da natureza começou a me inquietar:

nós respiramos. colocamos pra dentro de nós um pedaço de ar, de vento.
Ar que está em todos os lugares, em camadas na atmosfera em torno da Terra. Fora da Terra não há ar, mas o vácuo, o nada junto com as matérias hiperquentes e hiperfrias dos planetas e dos astros. As estrelas têm cores frias mas são muito quentes. O sol é grande e aparece de dia mas é uma estrela também, que fica perto da Terra. Perto mas é muito longe. Bem longe. Os planetas que ficam perto do sol são vermelhos, pequenos e muito quentes. Os que ficam longe são bem frios e têm várias luas. Nós só temos uma lua, que tem manchas e esconde uma face da gente.



Mas e respirar?
Se a gente não respira, morre. Quem pára de respirar por sufocamento, forca, afogamento, não vive mais. O ar entra pelo nariz - mas eu com o nariz entupido de rinite respirava muito e muito pela boca, mas isso não é bom. O nariz tem pêlos que filtram o ar poluído.

O ar entra.
Lá dentro, ele vai até os pulmões, e se transforma. O que era oxigênio vira gás carbônico. O oxigênio faz bem para o ser humano, o gás cabônico é o ar que soltamos quando expiramos. Também é o ar poluído que sai dos carros, da combustão, das queimadas da floresta, que são muito ruins.
As plantas são boas. Elas fazem fotossíntese para viver. Isso é ótimo para a vida na Terra. Elas se alimentam de luz do sol e nutrientes, e algumas são comestíveis.

O que me preocupava era o ar dentro das salas. Com todas as janelas fechadas, como é que a gente faz quando o oxigênio acaba? Eu perguntava isso para a professora, que era uma mulher alta e simpática de cabelos encaracolados, escuros.
Fico pensando isso no ônibus ainda hoje. Frio lá fora, todo mundo fecha as janelas e tenho a sensação de que o ar respirável vai acabar.

E o que a gente faz com os gases nobres? O neon é o dos luminosos, alguns outros estão dentro das lâmpadas, ok.
Mas tinha algum problema a gente respirar esses gases? E porque tem tanto nitrogênio no ar?

Lançava uma outra pergunta no fim da aula, ao tocar do sinal:
- O cheiro das flores é ar também?


(Luís gentilmente redimensionou esta foto, de dentro da torre da catedral de Clermont-Ferrand)

Eu subi em duas torres de igreja, na catedral de Clermont-Ferrand e em Ambert. Escadas sem fim, caminhando em caracol.
Em geral há pouco vento circulando. As portas são fechadas, abrem só para os visitantes entrarem.
O ar desses lugares... deve ser ar guardado desde o começo da construção dessas igrejas, ar do século 13, meados do século 14.
O que será que esse ar tão antigo deve ter encontrado no meu pulmão? O que será que as minhas mitocôndrias acharam desse ar medieval?


00:50

Sexta-feira, Agosto 15, 2008
ATENDENDO AOS HORIZONTES DE EXPECTATIVA


(veja )

Realmente preocupada com o número crescente de internautas buscando informação sobre "colher, colheres" que acabam caindo aqui, acredito ser necessário oferecer ao menos um pouquinho de informação sobre o assunto, para que esse público não feche a página decepcionado. Farei algo então bem simples, a tradução de algumas informações no verbete "cuillère" do Wikipédia em francês. Quem sabe esse não é o primeiro passo para trabalhos mais ambiciosos no futuro:

Durante a pré-história, conchas eram usadas como colheres. Aliás, o termo vem do latim cochlearium, que vem por sua vez de cochlea, caracol. Não sabemos se tratava-se de conchas de caracóis usadas como colheres ou de alguns tipos de colher usadas para comer escargots.

Da época paleolítica, tem-se colheres em osso e em madeira. Na Grécia antiga, a colher de madeira era usada para comer ovos. Na Roma Antiga havia colheres em tamanho grande e pequeno. Até o século 18, a colher não era usada como talher; servia principalmente para misturar molhos e servir líquidos.


Me parece discutível essa última frase. Além de discutível, o texto todo é fraco de informação. Precisava-se de colher para comer escargot, ou a própria concha era a colher? Que coisa é essa da colher de madeira para comer ovos? A colher de madeira não servia para outra coisa? Comer ovos na Grécia antiga era tão importante assim? Realmente foram os romanos que atentaram ao fato de que as colheres poderiam ter tamanhos diferentes? É tão difícil assim comer com colher que tivemos que esperar o século 18 para que ela fosse usada para levar algo à boca? Não acredito.
Mas tá aí.

13:01

Quinta-feira, Agosto 14, 2008
TRÊS MOMENTOS



Fala com ela




A vida secreta das palavras




O escafandro e a borboleta

23:35

Quarta-feira, Agosto 13, 2008
DAQUI A POUCO É SETEMBRO

e na França sai um novo livro de Amélie Nothomb, junto com outros best-sellers. Os livros dela seguram, eu leio normalmente em dois dias, não consigo desgrudar quando começo. Um deles, Journal d'hirondelle, de 2006, li numa tacada só. Sentei na poltrona, devo ter me levantado para beber água e ir ao banheiro. Exploradora de um universo todo próprio, ela vem a cada ano que passa, sendo criticada por se repetir, e por fazer perder a força de seus textos. Nesse livro, principalmente. Sei das limitações dela, mas gosto do que ela escreve. Este livro em particular não foi tão legal quanto os outros, mas ela é hábil o suficiente para deixar ao menos uma imagem marcante. Ou melhor, um som marcante.



O herói do livro, narrador em primeira pessoa, é um homem que muda a direção de sua vida monótona depois que começa a ouvir Kid A, do Radiohead. Justo o álbum que tem Idioteque, uma música de que gosto muito. Por que citar justo esse álbum, uns seis anos depois de lançado? De qualquer maneira, ela conseguiu. Agora quando abro qualquer música do Kid A, lembro do assassino da Hirondelle.


00:31

Terça-feira, Agosto 12, 2008
TUDO BEM, CIÇO, TUDO BEM

Eu poderia falar de várias coisas, assunto realmente não falta, coisas maravilhosas para compartilhar: escrever sobre o último filme do Michel Gondry (emocionante, a melhor coisa que vi esse ano!) Be kind rewind, numa tradução gracinha que fizeram para o português Não reflita, rebobine a fita, dizer o que achei da nova música do Beck, que está no Youtube mas não pode ser postada em blog algum porque a gravadora não deixa, falar como fico triste com as Olimpíadas, primeiro porque essas competições esportivas me fazem lembrar o livro do Georges Perec W ou memória da infância, este livro por sinal uma autobiografia, e mesmo me faz lembrar que quase tudo o que a gente compra é Made in China logo nós é quem pagamos aqueles mocinhos batendo no tambor, comentar coisas da viagem, postar fotos e desenhos, falar de colher para aumentar ainda mais o número de visitas de pessoas que colocam "colher" no google e caem aqui, o que me faz até preferir ficar com o blog hospedada onde estou, mesmo não tendo tantos recursos, o que tem um lado positivo, porque o código é mais fácil de mexer, colocar links, mudar cor. Até que seria bom eu pensar nessas coisas mas uma coisa não sai da cabeça, preciso compartilhar.

Lionel Richie. Semana passada comecei a me dar conta, mais e mais, de como esse cara é importante.
Veio do Alabama para conquistar o mundo inteiro, ganhar Oscar e Grammy, mas não só isso. Quando nascemos, Ciço, ele cantava Endless love com Diana Ross. Não era o número um da Billboard no dia do nosso nascimento, eu sei que você sabe disso!

Antes da carreira solo gravou coisas como Easy (música preferida da Karen num daqueles cadernos de enquete da sexta série - mas será que ela pensava na versão dos Commodores ou naquela banda americana legal que regravou nos anos 90 e agora eu esqueci o nome e não vou procurar?).

Nos anos 80, Richie emplacou All night long. Oh nylon! é um virundum de primeira categoria, que até foi estampa de camiseta. Mas este, acredito eu, não é o ponto alto da carreira de Lionel Richie.

Para mim, ele foi um visionário do vídeo clipe, por mais que, como o Cícero bem sabe, Lionel Richie era em algum momento da história da MTv, contrário ao formato. Saiu numa discussão com a então jovem e principiante no show bizz Madonna, que deu um baile no já então consagrado cantor... Mesmo assim, ele simplesmente é o cantor que viabilizou a existência do clipe de Hello! - is it me you're looking for?



Ele levou a sério a letra da própria música e criou um clipe com uma cega, aluninha dele, Lionel-professor-de-teatro-homem-sério-engajado-que-conhece-a-vida. Oh! ele se apaixona por ela!
Por mais que o clipe cause muitas emoções fortes, é preciso assistir o final...

Outra grande obra de Lionel Richie só se equipara a I Just Called to Say I Love You e That's What Friends Are For em termos de sucesso em 1986. Trata-se de Say, you, say me. A música (que até foi cover cantado por Fergie pré-adolescente, o vídeo está no youtube) ganhou o Oscar de melhor canção do filme O sol da meia-noite, mesmo sem fazer parte oficialmente da trilha sonora! Deixou a música do Phil Collins, que fazia parte da trilha, de escanteio...


(daqui)

O sol da meia-noite é um filme marcante, estrelado por Baryshnikov e Gregory Hines, além da presença de Isabella Rossellini e Helen Mirren - que é de uma gloriosa família russa, vejam só. Prenunciou a queda da cortina de ferro... - pode até não ser bem isso, mas acho que essa frase soou legal.



Михаил Николаевич Барышников (legais as letras cirílicas) é talvez o dançarino vivo mais conhecido no mundo: nos anos 70 abandonou a União Soviética e continuou sua carreira no mundo capitalista. Por isso o filme O sol da meia-noite - isso eu lembrava desde quando eu o vi no Super cine na Globo quando o filme passou pela primeira vez na televisão e meu pai se interessou em vê-lo com a minha mãe e também me deixou assistir - tem a ver em partes com a própria vida dele. O avião em que o bailarino que fugiu tem que fazer um pouso forçado na Sibéria (quem mandou arriscar...), ele é preso pela KGB. Ele encontra então com um bailarino americano que desertou durante a guerra do Vietnã e vive (feliz?) sob o regime comunista.

Tenho que dizer: fui uma criança marcada pela existência da União Soviética. Não que eu tenha parentes ou pessoas próximas que participaram do que quer que seja ligado à guerra fria, ou a ditadura no Brasil, nada disso. Só as notícias do Jornal Nacional à noite já me eram um impacto. Lembro que um dia, devia ser Sérgio Chapelin na tela com um desenho estilizado da bandeira vermelha com a foice e o martelo, falava da morte de algum "socialista". Eu resolvi falar em voz alta:
- Bem feito.
Eu queria causar que impressão aos meus pais?! Meu pai achou estranho e disse:
- Filha, você não pode falar assim, a pessoa X é uma pessoa como eu e você e merece respeito, etc. etc.
O pior é que eu não tinha raiva ou sentimento ruim algum em relação aos soviéticos - acho eu... só devia pensar que lá era muito frio e cinza. Que eles todos tinham cabelos muito claros. Nenhuma impressão negativa, visto os filmes do 007 da época e principalmente Rocky IV...



Voltando ao filme do Baryshnikov me impressionou tendo que dar umas 12 voltas ao redor de si mesmo. Foi o que ficou pra mim do filme, fora a inesquecível música de Lionel Richie ganhadora do Oscar, Say you, say me, que Cícero sempre guardou na mente como Seio - olha só, outro ótimo virundum!

Uma pena o site do Richie foi atualizado pela última vez há quase um ano. De toda maneira, a gente sabe como é ter a vida corrida e não conseguir postar as novas na net, né Ciço?!

Recentemente, a gente pode até achar que ele está num casarão tranquilo sentado ao sol, ganhando royalties, mas não: segundo fontes confiáveis, agora ele está conquistando fãs em regiões do mundo bem interessantes, como Qatar, Marrocos, Dubai e até mesmo o Iraque. O próprio Richie diz que Bagdá foi invadida pelos soldados americanos ao som de All night long. Deve falar isso com sorriso nos lábios.

Quanto ao bailarino russo mais famoso da atualidade: nos últimos 16 anos, Baryshnikov não tem feito muita coisa a não ser participar de alguns episódios de Sex and the city...



Fica a pergunta: o que seria dele se ele tivesse ficado na URSS?

22:14

De volta ao começo