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Colheradas sobre LITERATURA, CINEMA, MÚSICA, SONHOS e AMIGOS.
COLHER também desencava umas COISAS DO PASSADO entre outras coisas que nem ela mesma sabe.
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Terça-feira, Dezembro 01, 2009
É TRISTE
nada será como aqui foi, mas é assim. As coisas mudam. E eu me mudei para ovonovo. Não sem pesar de abandonar essa página tão bonitinha!... A continuação está lá. 09:35 Sábado, Outubro 03, 2009
FUI DAR UMA SONECA
e antes de acordar com frio eu sonhei que a Karen tinha feito um vídeo de uma aula da ginástica. Ela era aluna da aula de ginástica, algo meio recreativo, meio de dança. O sonho era simplesmente esse vídeo, eu e a Karen por trás dele comentando a respeito. Era um vídeo bem simples, feito com uma câmera fotográfica digital. A aula vai começar, a professora coloca uma música dançante, que me deixou vestígios de Moby, apesar de não ter nada a ver com Moby. A Karen tá sentada no chão, e se levanta. Dá para ver a sala toda, e a Karen de roupa preto e branco se levanta em meio aos outros alunos, dos quais não tenho nenhuma informação. O que eu tenho na cabeça é que a câmera muda subitamente de posição, e eu não entendo como a Karen está filmando e participando da aula ao mesmo tempo. Depois de rever o vídeo (o vídeo se repete duas vezes no sonho) é que ela se vale do fato de a sala ter espelhos, logo no começo do vídeo ela está de frente a uma das paredes de espelho e no decorrer da aula isso vai mudando. Ela até faz cirandas com os alunos, dois a dois. Os alunos tem que se movimentar como numa coreografia bem complexa. E NÃO FOI UM sonho somente, mas dois! Lembrei enquanto escrevia de um do outro. Sonhei em alemão! Ou com uma tentativa de entender alemão. Foi um sonho do filme Corra Lola Corra, mas no sonho o filme não se passava inteiramente em alemão, e em algumas cenas o filme era preto e branco. Lembrei do sonho quando escrevi "preto e branco" da cor da roupa da Karen. Mas acontece que na cena do telefonema o namorado da Lola dizia que se chamava Moritz, mas esse é o nome do ator, Moritz Bleibtreu. No filme é Manni. Ich heiße Moritz. Por que ele precisaria dizer isso, que se chama Moritz para a própria namorada, Lola? A ligação fica confusa e cai várias vezes, eles não conseguem se falar. Duas coisas de uma mesma época, Lola e Moby. Dois vídeos muito inventivos, que eu não consigo entender à primeira vista. Vontade de fazer ginástica e de voltar ao curso de alemão? Um pouco de tudo, o episódio dos Simpsons aí em cima. Até a ciranda a Lisa faz no terceiro minuto. E as imagens estão invertidas como num espelho. 18:27 Segunda-feira, Agosto 31, 2009
TANTO TEMPO LONGE
desta humilde casinha. Aqui fiz muita coisa, fui modificando o espaço. Mas já faz tempo que ele não está mais como queria, as janelas não abrem, o encanamento não funciona tão bem. Queria dar uma melhorada mas as fundações impedem grandes mudanças. Por isso a idéia era me mudar daqui. Mas por falta de tempo ou por qualquer outra razão os meus outros endereços não podem me receber como preciso. Então fico nessa indecisão grande, pra onde vou, fico aqui, ou acelero a mudança? Por enquanto estou de hóspede no tédio, que costuma me receber bem. Lá eu faço e digo coisas que não faria aqui. Lá estou passando o tempo e dando risadas. Aqui posso dizer que sonhei com o Canadá, lá estava Luís e eu, no frio. Era ano-novo e a tradição pedia que se queimasse troncos de árvore em forma de gente. Como se se queimassem homens do ano velho. O fogo liberava um cheiro gostoso. Estávamos hospedados numa família, numa casinha daquelas formato americano que pode ser desmontada rapidamente. Estou contando centavos e olhando para as moedas, num momento parece que existe uma moeda de 3 centavos. Achei que seria prático por lá. As moedas era pra pagar o ônibus. Eu fiz muito disso por lá, os ônibus ou aceitam bilhetes que se compra em mercearia ou o motorista não dá troco se se paga em dinheiro. Luís chega e resolvo voltar pra casa. Estamos em cima da hora, a Vanessa de Curitiba está com a gente. Na casa eu perco um tempão, como doces muito gostosos, subo e desço escadas. Me atrasei? Não sei. 21:04 Quarta-feira, Julho 01, 2009
HOJE É DIA DO CANADA
e tive um sonho hiper misturado. O Luis dublava filmes e pegou um sobre um poema de Maiakovski, que foi transposto para a Colombia, que vivia sob regime comunista nos anos 80 - sei que nao, mas no sonho foi assim. La foi eleito um novo presidente, imigrante africano. E ele deixou que entrassem no pais aparelhos de televisao modernos, em cores. Foi uma loucura, toda a populacao correndo atras da televisao nas lojas. E por fim é uma revolucao e todo mundo morre, corpos empilhados nas ruas. Mesmo sendo feriado tenho aula, que comeca daqui a pouquinho. 10:19 Sexta-feira, Junho 26, 2009
ATÉ MAIS
da minha coleção que tá no flickr pelo fato de que há quase um mês não escrevo aqui (coexistência com o twitter e o tédio), vale dizer que um dos meus sonhos profissionais paralelos (arquiteta, cabeleireira) seria trabalhar no metrô. Nas plataformas mesmo, controlando o trem, ou então na frente das catracas. Melhor ainda, controlando a estação nessas cabines que não mudam desde a primeira vez em que me dei conta delas. Espero, ao contrário dos uniformes dos funcionários, que agora chamam a atenção por serem feinhos, que essas cabines não mudem nunca. Que sejam sempre futuristas. 02:03 Domingo, Maio 31, 2009
SABE O PERSONAGEM PRINCIPAL
de Sinédoque, Nova Iorque? Ele existiu de verdade, mas ele se chamava Jacques Tati, morava na França. Quando criou sua sinédoque, Playtime, Tati fazia já filmes, já tinha ganhado Oscar de melhor filme por Mon oncle, quando decidiu criar uma cidade inteira, uma nova Paris, desfigurada, povoada por enormes prédios modernistas, envidraçados. Playtime é o filme que arruinou Tati, que teve fôlego para ainda uns dois filmes depois desse. Tinha visto muito tempo atrás, e admito que não tinha entendido tanto dele. Aquela coisa: anos depois, a gente reconhece mais coisas, vê detalhes - e no caso de Playtime eles são inúmeros. Exigente e rigoroso, Tati criou uma verdadeira cidade em movimento, com pedaços de conversas, personagens mais ou menos anônimos, carros e ônibus... Incompreendido, perdeu os direitos dos filmes, mas nos últimos anos vem ganhando relançamentos e retrospectivas. Agora em 2009 a Cinemateca francesa organizou uma exposição em sua homenagem. O cartaz gerou polêmica ao substituir o cachimbo de Tati por um catavento... medo dos publicitários de infringir a lei francesa que proíbe propaganda que incite o uso de fumo.
Revi Playtime numa circunstância bem legal: o grupo Uakti criou uma trilha para o filme, e o apresentou ao vivo no sesc Vila Mariana. Talvez o primeiro evento do ano da França a que eu vou. Em tempo: música de filme do Tati é sempre demais. A música-tema de Mon oncle é das coisas que eu mais gosto. Parece fácil pensar no tempo que passa... 19:20 Sábado, Maio 09, 2009
SABE AQUELA COISA
só sei que nada sei? É isso, não tem mais discussão. Desde pequena, vendo Vinte mil léguas submarinas, A volta ao mundo em oitenta dias na sessão da tarde na tevê, eu jurava que Jules Verne era inglês. Começando a facu, descobri a nacionalidade dele. Mesmo assim, pra mim ele continua inglês. E até hoje não li nada dele, esse francês tão inglês. E Musil? Pra mim, outro britânico. Hoje descubro: austríaco, como vários outros que davam a Viena o peso de Viena. Tanto austríaco, gente. Wittgenstein criança na escola junto com Hitler. Schönberg fugido da Europa, nos Estados Unidos, vizinho de Gershiwn, os dois se disputando em partidas de tênis... ai ai. Nada como a leitura de umas páginas de Wikipédia. NÃO CONSIGO SER FIEL a séries, mesmo sendo ótimas, mesmo tendo todos os episódios ao alcance da mão.
Flight of the Conchords foi uma referência perdida que eu recuperei faz um mês. A coisa mais engraçada e modestamente bem feita dos últimos tempos - não só a série, mas as músicas, feitas antes da série, e o documentário dos neozelandeses num festival de música. Esqueci de assistir os episódios a partir do último da primeira temporada. Só a Karen é que me lembra de assistir. Ainda preciso pensar (ou achar) a explicação para o nome da banda. Tenho uma hipótese, mas preciso conhecer mais sobre aviação.
Tudo o que é sólido pode derreter é um sopro renovador na dramaturgia da tevê cultura. Depois de O Mundo da Lua e Confissões de adolescente, o que tinha sido feito no gênero, para adolescentes? Não lembro de nada. Os caras de "tapa na pantera" provaram que sabem fazer mais do que um "sucesso do youtube", e estão trazendo leituras apaixonantes dos nossos "clássicos da literatura", e acho que sem cair na reconstituição ou na explicação facilitada para vestibulandos. Mesmo. E engraçado ver um ex-colega das aulas de sintaxe na Letras fazendo o pai da protagonista... Nada como a postagem de séries da televisão na internet. ((p.s.-relendo-depois: quantas aspas...)) 23:52 Domingo, Maio 03, 2009
MAIS UMA VEZ INDO
pra Argentina, Buenos Aires. Passamos em frente à Casa Rosada, resolvemos entrar. Lá, nos quatro cantos havia terraços de onde se podia ter uma linda visão da cidade em movimento. Tempo agradável. No meio da casa, numa sala que parecia um "saguão principal", havia uma lojinha de jóias e coisas hiper caras. Ficamos olhando de longe. De repente, eu trabalhava na Casa Rosada. E a cada cinco minutos eu era promovida a chege de diferentes gabinetes. Voltando ao saguão, seguram a porta para mim Serra e Kassab, que tentam puxar papo comigo. Aí eu percebi que já era hora de acordar. 15:42 Segunda-feira, Abril 20, 2009
TEM SIDO RECORRENTE
sonhos feitos de encontros. Grandes grupos de gente, reuniões, cumprimentos, conversas. Pessoas que não vejo faz tempo, gente que vejo na rua mas fico com vergonha de cumprimentar porque muito tempo atrás eu não respondi um email por vergonha igualmente ou por medo de não ter papo. Pessoas da televisão, semi-stars ou atrizes de novela. Os lugares são bem amplos, há cadeira para todo mundo nos jantares dos sonhos. Um dos sonhos desta noite foi o contato com um grupo de kung fu que realizava aulas num cemitério em Pinheiros. O cemitério todo lindinho, colorido, mármore e azulejo, vasos de flores. O grupo de kung fu praticando em meio aos enterros. Fui conhecer os praticantes dessa modalidade única de luta marcial. Me lembrei da Uma Thurman. Isso porque, é óbvio, ela protagoniza Kill Bill. Isso porque vimos faz umas semanas um curta estrelado por Selton Mello e Seu Jorge, Tarantino's mind, dedicado às inúmeras correspondências entre os filmes de Tarantino. Coisa ou outra vai-se misturando, algumas referências eles forçaram, mas é simpático. O que o filme relevou a mim mesma é que Mia e a Beatrix Kiddo se comunicam por meio dos pés. Não que isso seja algo que eu faça, mas fui influenciada pela cena em que Mia vira os pés, e isso é algo que eu faço com certa frequência. Procurando a cena dos pés, e não achando, me deparei com uma série de filmes editados em cinco segundos, dos quais Kill Bill é um dos melhores. Comi cachorro quente de soja hoje à noite, depois de ver Sinédoque, Nova Iorque. Salsicha é sempre ruim, mesmo de soja. 00:29 Domingo, Abril 12, 2009
ANTES DE REALMENTE
começar a sonhar, me deu uma vontade enorme de comer cachorro quente. Já deveria ser um sonho: eu ainda não teria pegado no sono, e me veio cachorro quente à cabeça. Nunca fui hiper fã de cachorro quente, estranho ter esse desejo, justo agora que não como mais carne. Aí pensei naqueles carros que param na rua vendendo cachorro quente. Catchup e mostarda. Talvez porque eu de tarde comi hamburguer de soja, e pensei que o da Sadia combina mais com pão branco, e não com pão integral. E que não é necessário nenhum tempero com esse hamburguer, tão forte ele é nos condimentos. Aquela coisa: "é de soja mas é gostosinho". Aí pensei que poderia comprar no mercado salsicha de soja. Ou melhor: que a banquinha de tapioca da ECA teria cachorro quente prensado de soja. Teve vários sonhos depois disso, uma filha de professora que não existe, mais uma criança para eu dar aula. O que me restou foi esse cachorro quente. E não a vontade de comer cachorro quente: essa acho que passou. ANTES DISSO vi uma cena histórica que não conhecia: um discurso do Ronald Reagan em frente à porta de Brandenburgo, justo no limite entre Berlin ocidental e oriental. Era criancinha na época, passou batido. Pra mim, soou ousado. Sei lá. Gostei, independente de qualquer outra coisa. Foi como ver Che, quinta-feira de cinema lotado no Unibanco. Fiquei pensando se o que nos resta agora é assistir - e só isso... VER O CHE me fez ter um sonho lindo. Estava em Santos, naquela parte mais centrão da cidade, construções antigas, pintadas de cores alegres. Dia de sol agradável.
esse dia em Santos estava agradável somente dentro do aquário Olhando com mais atenção para o que acontecia nas ruas, deu pra perceber que tínhamos bondes andando. Olha bondes! Provavelmente Santos teve bondes. Pois então. Eles saíam das garagens e dos depósitos, voltavam à ativa. Havia vários modelos, uns que mais pareciam trens de carga, mas ok, o transporte era barato, tinha lugar pra todo mundo. RESOLVI VOLTAR a pé para São Paulo. Não foi difícil escalar a serra. Aprendi vendo um filme que precisamos ter três membros firmes na pedra, um braço e as pernas, para poder procurar com outro braço uma pedra mais acima. E foi assim. As pedras, chegando no planalto, tinham duas cores, um bege clarinho e marrom mais forte, que pareciam pintadas ou um efeito da luz do sol. Chegando, cometi um erro. Coloquei Guarulhos no sul, no lugar de Diadema. Fiquei procurando um ônibus intermunicipal, os bondes talvez voltando também a funcionar, mas nada estava mais certo. Peguei um bonde andando, acho... 12:13 Quinta-feira, Abril 09, 2009
FOMOS PARA
Paris: Luís, meu pai e eu. Não sei para quê. Talvez simplesmente para passear. Ficamos na Bastilha, alguns lugarezinhos que eu não conhecia. Sol, andando bastante a pé pra cá e pra lá. Queria ir numa igreja, que eu chamava de Madeleine mas não era a Madeleine. O apartamento onde ficamos lembrava o de Santa Cecília. Mas era um apartamento do Rogério, que mora em Barcelona. Ele nos emprestou o apartamento, ligou pra gente, queria saber se estava tudo ok. Meu pai me pergunta se aquele apartamento não seria o nosso, o mesmo, de Santa Cecília. O Luís vai embora dois dias depois, talvez tivesse voltado para São Paulo. Eu e meu pai também partimos de Paris, mas eu fui direto para Palmas, TO. Lá eu ia dar aula. Encontrei claro o Sérgio, no corredor da escola-faculdade-não sei o que era, junto com outros professores. Daqui uns minutos o sinal ia tocar, e cada prof se dirigia a uma sala. A minha sala era a 10. A sala ficava naquele corredor, mas eu não encontrava a sala. Sem me preocupar muito do que ia fazer na aula, de quem eram os alunos, eu continuava a conversar, mas também não entendia muito do que as pessoas falavam. Tinha um mosquito colorido, com cara de criança e boné, que abria uma telinha e começava a mostrar vídeos. Era um mosquito raro, disseram pra não matar o bichinho. Um professor já entrou na sala para onde o bichinho voou. O Sérgio também entrou na sala dele. Eu procurei minha sala, com muita dificuldade achei. Na porta, para confundir, estava escrito assim: 123y X 18-10 D Pode ser que os alunos colocaram números e letras na porta da sala, imaginei. Lá dentro, crianças e adolescentes, eu não sabia determinar que idade tinham, uniforme roxo. Estavam ensaiando uma peça de teatro. Não sabia se uma das adolescentes do grupo era realmente a professora substituta ou era um papel da peça. Enquanto isso, o Luís continuava em Paris. Ele mudou de visual, deixou um bigodinho, o cabelo ficou meio anos 90, estava usando umas roupas de rapper, jaqueta adidas, corrente no pescoço, essas coisas. Tinha um carrão. Fui me encontrar com ele, estava com saudade. Me levou com uns amigos no carro dele para passearmos. Chegamos numa quebrada, uns caras nos assaltaram. Fiquei meio sem graça de mostrar que eu não tinha euros, meu celular e meu mp3 são velhos e não devem custar nada na França. 10:51 Domingo, Março 29, 2009
UMA PROVA
não sei de onde ela veio, mas era uma prova que eu tinha que fazer. Cheguei na sala de aula, o baque, como assim, o que é isso aqui? Não entendia nada do que estava acontecendo, nem saberia dizer o que eu estudava ali, do que se tratava as perguntas da prova. Gelei. Resignada, me curvei frente à folha cheia de questões incompreensíveis. De repente, alguém começa a cantar Vai passar, do Chico Buarque - simplesmente próprio Chico Buarque. Olha aí, ele de novo num sonho - penso eu. Vai passar é uma das músicas que eu mais gosto dele, que não sou daquelas fãs que vão ao show. Cantei junto, dei risadas da vida, pensei que aquela prova não era nada frente à beleza da música, de todas as músicas. A sala também começa a acompanhar o Chico e tudo termina feliz. O Chico Buarque não era o Chico Buarque mas o Luís, em quem eu dou um abraço. 00:39 Segunda-feira, Março 09, 2009
TEM UNS SONHOS
que mais são ajustes da realidade que outra coisa. Ajustes, lembretes, antecipação do que se tem que fazer. Hoje por exemplo, eu fui à locadora procurar o filme O testamento do senhor Nepomuceno, que eu vi na época mas do qual eu não lembro nada a não ser a aparência do ator principal, brasieiro. No sonho meu pai queria o livro do escritor, na realidade foi a Lúcia que me pediu. Durante o dia escrevi para ela, na busca de uma resposta sobre como achar A ilha fantástica, do mesmo escritor. Além disso teve um remake de filme chato francês com uma atriz chata, filme sem pé nem cabeça, e dei bronca em quem achava que tinha que dar e não dei de verdade, mas fico tentando. DIAS ATRÁS eu fiz coisas muito úteis como procurar colares e bonitos e conversei com Chico Buarque numa situação inimaginável. Eis o que eu lembro dos dois sonhos: Ontem estava passeando e resolvi parar numa loja, onde tinha em bancas vários colares bonitos, parecia que a preços módicos. Fui revirando o que ali havia, cheguei num colar de prata, com desenhos de frutos do mar, pedrinhas e tudo. Fiquei encantada. Vi o preço, custava 10 parcelas de 950 reais. Ai que triste. Então a moça da loja começou a me mostrar coisas "para dar sorte", uma rosa de plástico, uma outra com um líquido que mudava de cor. O líquido quando encostei ficou amarelo, então ela me disse que eu estava seca por dentro. Acordei com sede. Hoje eu já saí correndo à Cachoeirinha, para o centro cultural onde a Karen trabalha. Ela organizou um show com o Chico Buarque. Cheguei depois da hora que o show começava, mas eu era a primeira pessoa que chegava para o show. Fiquei abismada. Só eu ouvindo o Chico Buarque cantar com violão e só ele no palco. Nem sou tão fã assim do Chico, não sabia cantar todas as músicas, que vergonha. Ele também muito envergonhado. Depois do show, puxei papo com ele, disse que gostei muito de Budapeste, que vou tentar ler o livro novo dele (que realmente lançou, agora). Ele pegou um elevador, foi-se. Eu disse que achei legal tê-lo visto num lugar que não aquelas salas de show caríssimas e lotadas. 01:42 Segunda-feira, Março 02, 2009
HOJE DURANTE
a maior parte do dia, as têmporas palpitando, o suor saindo por todos os poros do corpo, os ônibus queimando as costas, tanto o sol, como agora a noite, tão quentes um quanto a outra, o notebook fervendo sob minhas mãos e a lâmpada que me ilumina agora parecendo que vai me transformar em pipoca... Certamente me lembro do episódio preferido de Tintim: A estrela misteriosa. Não pelas altas temperaturas noturnas, das cenas que abrem o livro (como o desenho animado): Tintim e Milou estão andando, observando as estrelas, quando percebem que até o asfalto está derretendo de tanto calor.
Na primeira página, o cidadão Tintim entra em contato com o observatório para saber que estrela tão brilhante lhe chamou a atenção... Mó calor e ele nem pra usar uma roupinha mais leve! É um corpo celeste que cai na terra e vai parar no meio do oceano. Tintim, é claro, parte na expedição dos cientistas bonzinhos. Os americanos saem perdendo, em meio a umas referências anti-semitas aqui e ali. A estrela misteriosa é um dos episódios mais elogiados de Tintim, a primeira incursão de Hergé na ficção científica. Tintim é aquela coisa, cheio de coisas politicamente incorretas, ausência total de mulheres, com exceção da feia-pé-no-saco Castafiore, mas mesmo assim é simpático. 22:38 Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009
É TRISTE
mas meus comentários estão fora do ar, mesmo. O jeito é esperar. Querendo, deixem um recado para mim no Clube do tédio que eu pego depois e retorno assim que puder. Obrigada. 15:16
ACABOU DE SAIR ESSA SEMANA
a lista dos dez ganhadores do prêmio Landfill, que escolhe as invenções tecnológicas mais inúteis do planeta: aquelas que não valem o uso de recursos naturais, os combustíveis empregados para a fabricação. Os criadores do prêmio, especialistas no assunto, querem mostrar que há muita coisa desnecessária, muitos gadgets ridículos que só poluem o mundo. Pois então, é legal ver que o ganhador é um cone de sorverte movido a pilha, que gira sozinho, evitando o desperdício de sorvete. Já está esgotado o produto, não adianta querer comprar. Além disso, tem coisas como: - uma capa de assento de avião personalizada, para evitar de se contaminar com os micróbios dos passageiros anteriores; "plane sheets" me fez lembrar de "The Italian man who went to Malta", que coloco aqui para quem ainda não viu; - um camaleão com entrada usb que não muda de cor; - um garfo motorizado para girar o espaguete, só que ele é mais lento que a força humana; quem sabe se fosse uma colher motorizada... ahah; - um navegador gps para o banco do passageiro, para que a sogra pare de encher o saco dizendo qual caminho é melhor seguir - isso é realmente um argumento no site que vende o produto! No entanto, há também Wii Fit, no sexto lugar e Guitar hero, no sétimo. Ora essas... colocaram na lista duas coisinhas que gosto tanto. Wii Fit é meu sonho medíocre de consumo, e Rock Band, variação de Guitar hero, é a coisa mais legal de se fazer na casa da Karen. Eles argumentam que para se exercitar, basta sair na rua e para tocar rock, existem os instrumentos de verdade. Se fosse assim, quantas coisinhas simulam outras "coisas de verdade" teriam que entrar na lista também, hein? 15:10 Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009
COMO TODO COMEÇO DE ANO LETIVO
tive sonhos cujo assunto principal são aulas, colegas professores, alunos antigos e novos. Já sonhei outras vezes que dava aula de alemão sem saber nada do que estava fazendo, em outro só um aluno tinha entrado na sala, constrangido, sem termos idéia de onde estavam os outros... a maior parte desses sonhos traz situações ruins. Essa noite foi repleta de coisinhas novas, mas mais do mesmo no fim das contas: eu perdia hora para dar aula, porque ficava sem razão em casa, meu pai chamando para ir ao cinema; eu tomava banho e conversava com colegas no banheiro, um deles tentava entrar no banheiro e eu ficava brava. Estava no ônibus na avenida Europa, uma vizinha do prédio muito simpática me liga querendo aula, eu aceito (nem lembro quem ela é), ela diz que preparou um presente pra mim. Esses sonhos me preparam na marra, de uma certa maneira, ao ritmo das aulas, do imprevisto constante, da firmeza que se deve ter - até o fim do semestre e o recomeço das férias. 09:47 Sábado, Fevereiro 21, 2009
PORQUE HOJE É SÁBADO, PORQUE HOJE É CARNAVAL
ou por qualquer outra razão, sonhei que estava no Rio de Janeiro, passando pelo sambódromo que é bem pequeno, se formos comparar com as imagens da rede globo. Sílvia, uma ótima carioca que conhecemos lá, deu a resposta para essa diferença de tamanho: é que eles filmam os desfiles em grande angular. Pode ser. Não entrei no sambódromo, mas achei muito pequeno, mesmo que simpático, ali num cantinho em direção ao centro.
Ao contrário do sambódromo, a confeitaria Colombo me parecia menor do que ela é, pé direito alto que só, grande até o fundo E é o centro do Rio o que eu mais gosto de lá. Gosto muito do Rio, do pouco que conheço, queria ir mais e mais. Entrar por exemplo na Biblioteca Nacional. Quando viajei ao Rio especialmente para visitar a BN ela estava em greve. No sonho, o Ciço ia viajar com a gente. Depois de passar de ônibus, rápido, em frente ao sambódromo, ficamos passeando no centro do Rio, vendo os inúmeros bob's, sucos e mates. A gente comentava a supremacia do Bob's na cidade, o que era bem visto, porque empresa brasileira (ainda é?). O Rei do Mate, que respeitamos também bastante. Aquele sanduíche tost é ótimo no custo-benefício, que acho que comi um no sonho.
Cine Odeon, por A. Cantuária Ao redor e redor, o cine Odeon, as ruas frescas, de prédios novos ou antigos. Descobri perto da praça Paris um portal enorme, lindíssimo. Não deve existir de verdade. Era alto, imponente e delicado. De ferro, mas leve que poderia ser de madeira, com motivos florais orientais. Fiquei boquiaberta.
Era um sábado, que rua é não lembro mais Depois o SAARA, que eu gostei muito quando fomos agora em dezembro, mesmo com muita chuva, milhares de guarda-chuvas abertos no entre-festas (passado o natal, a poucos dias do ano-novo). O passeio do sonho com o Ciço foi lúdico, didático. Apontava para o alto o telhado da biblioteca nacional, era uma cúpula (ontem essa palavra apareceu numa das atividades de um livro de francês).
Os fundos da BN, por A. Cantuária Aproveitávamos para escutar Maria Bethânia dizer que gostava muito do centro de São Paulo, mais alguém falar do centro de Curitiba. De isso se ampliar aos centro-da-cidade de todas as cidades, como Santos, que tem um centro gracioso, ainda com muito a descobrir.
Tiradentes, dezembro agora Indo mais longe, centros históricos, como o de Tiradentes, ou como o de João Pessoa, que é simplesmente encantador; são dois lugares que passamos tão rapidamente que será impossível não voltar.
uma esquina de João Pessoa Acordei com vontade de ver fotos e mais fotos do Rio, fotos de viagem, e entrando no meu flickr recebo a boa notícia de que uma foto minha de Lyon foi selecionada para ilustrar um guia na internet: schmap. E olha que eu postei a dita foto justamente para falar de um sonho que tive de Lyon. 13:03 Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009
ACHO QUE BLOG
demonstra o quanto os momentos presentes são cheios. Cheios até de coisas passadas, de projetos para o futuro. Não controlo nem um nem outro: nem as lembranças periódicas (o que eu estava fazendo em fevereiro de 2008?), nem o que eu quero que aconteça em fins de março, durante as férias de julho. Seria como tentar ir atrás da pergunta: o tempo existe mesmo?
uma simpatia pelo ator, como pelo filme, "Um conto de Natal" Enfim, o que quero dizer é que há muito a dizer, e o tempo passa e há acúmulo. Por exemplo: vimos, Luís e eu, Conto de Natal; ia escrever sobre a delícia de filme que ele é, não o fiz. Semana passada fomos ver O casamento de Rachel, e fiquei fazendo na cabeça associações com Conto de Natal, que vi bem antes. Outro exemplo: aquela história de "seis graus de separação" sempre me intrigou, acho demais pensar nisso. No começo do mês me dei conta de que há menos de seis graus de separação entre mim e Hitler: eu dou aula prum aluno que é amigo do filho de um dos generais daquela operação valquíria, que o Tom Cruise protagoniza em filme. Mas, alívio, tenho também poucos graus de separação com David Bowie e com Barthes, e não duvido que pouco me separa do Gershiwn. E do Cortázar, Lewis Carrol: pensando em gente que viveu nos últimos 150 anos, alguém conhece alguém que conhece alguém que os conhece? Outra coisa, um sonho: meu irmão toca berimbau (toca mesmo), eu comecei a aprender a tocar, e é interessante a cuia encostar na barriga. O Cícero transformava berimbaus em saxofones. Outra: devo uns posts-homenagem e encomenda. Em suma: era isso e muito mais, mas fica assim por enquanto. 00:26 Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009
ESSA HISTÓRIA TODA
de acordo ortográfico, além de movimentar a máquina editorial, as caras consultorias empresariais e dar assunto de conversa em quase todas as rodas (seja na fila do banco, seja no curso de Letras, seja no Jornal Nacional), faz as pessoas pensarem na língua ou não? Penso nisso além de tudo porque fui ao Museu da Língua Portuguesa esses dias, ver a exposição do Machado (sempre Machado). No acervo fixo do museu, aquela projeção de poemas, o de Gregório de Matos, muito bem interpretado e realizado com apuro visual, é o único que vem acompanhado da referência da época em que foi escrito: "século 17". Isso porque seria facilmente confundido com um rap de hoje em dia?
do pouco que conheço, gosto dele, sabe... Agora com as modificações do acordo, como ficam todas as apresentações fixas do museu? Terão que ser readequadas? Nossa, que trabalhão vai dar. Não gosto muito das mudanças a que temos que nos submeter: como diferenciar a pronúncia de teia e ideia? Ai que triste... Será que nessa correção o pessoal do museu vai alterar a grafia de caraoquê (na lista de palavras de origem asiática) para karaokê, como todo mundo usa? Fora o museu e o dicionário Houaiss, poucos são os que ousam escrever caraoquê. Caraoquê me lembra piteça, forma que um daqueles gramáticos doidos queria que fosse dada a pizza. 00:14 Domingo, Fevereiro 08, 2009
ERA UMA AULA
de francês chata, a professora parecia uma prof chata do senac, que usava sempre roupas da mesma cor de acordo com o dia da semana. Isso quer dizer que no senac a gente sempre a via vestida de rosa. Eu era aluna, num grupo de 20. Entramos no pensamento de um colega, que ficou se imaginando num carrão importado, uma mistura de carro antigo com novo, preto e conversível, andando por alguma cidadezinha histórica como Tiradentes, ao som de uma música que a prof colocou pra tocar. Ele se imaginou no vídeoclipe da música, que parecia um Charles Aznavour ou Yves Montand. Pelo cenário, pensei, poderia ser um clipe do Fagner ou Alceu Valença, protagonizado pelo ator João Miguel, que, soube agora, foi escalado para fazer o papel de Lula no cinema. Parece que ele recusou.
De qualquer maneira, achei João Miguel em Tiradentes. Voltando ao sonho, me dou conta que a música em francês que a prof nos mostrou é It's oh so quiet da Björk. A Björk então regravou, penso eu. Começo a cantar do jeito da Björk, e de repente estou dando aulas particulares pra ela - não sei de quê, de francês? Ela está usando uma máscara que cobre o nariz e a boca, mas diz que não precisava mais usar isso. Ela está magrinha. A aula acontece num parque, como um zoo ou horto, vai ficando noite, escuro. Acho melhor terminarmos a aula. Ao sair do parque, crianças querem tirar a bolsa da Björk, ela dá uma bolsada na cabeça de uma menina, dizendo que ali tem o computador dela e ela não pode dar a bolsa. Os guardas soltam rojões e algumas crianças saem nadando, outras não. Nós resolvemos pegar um táxi. 10:07 Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009
ESSES DIAS
me lembrei de como os desenhos animados contêm conflitos. Pato Donald briga com um pássaro: um quer acender, outro quer apagar a luz do farol. Em outro, Donald acorda todo alegre para ir jogar golfe, mas começa a chover quando ele coloca os pés para fora de casa; os sobrinhos decidem então fazê-lo crer que ele está doente, à beira da morte. Até em testamento se fala. Esse clima neurótico inspirou um semi-pesadelo que acabei de ter. Eu torcia o braço de um cara parecido com o seu Madruga e queria matar (esmagando com a mão, como se fosse uma bexiga) uma borboleta feita de desenho animado muito impertinente - tanto seu Madruga como a borboleta de desenho animado representavam a dura concorrência para eu conseguir uma bolsa de mestrado. Antes tivesse sonhado com o país da matemágica. 05:53 Domingo, Fevereiro 01, 2009
ALGUMAS COISAS RÁPIDAS QUE PRECISAM SER DITAS
* pensei ontem que uma das coisas que fazem a vida valer a pena, para mim, é contar e ouvir histórias. * acho que não sou uma pessoa organizada, mas que gostaria de ser; quase sempre estou arrumando meu arquivo (aqueles cinzas de escritório), as estantes, os armários; não dou conta! jogo fora quilos de papel, para a reciclagem... * consegui vender bem rapidinho um livro na estante virtual; achava que ia ficar lá por anos, mas dá certo! fica a dica. * quem frequenta os cinemas da região da Paulista já deve ter visto um senhorzinho de bengala, gordinho e de cabelos brancos, foi ao festival de filmes de surf e ao noitão do hsbc; é alguém com quem vale a pena conversar enquanto o filme não começa. * última vez que conversei com ele foi segunda passada, me deu dicas de como sobreviver ao mestrado, falou da letras durante a guerra com o mackenzie em 1968; imagina o que era estudar russo naquela época, com a ditadura começando a pegar pesado. * a gente foi ver o documentário dos titãs na segunda, fiquei feliz e ao mesmo triste (o que já falei deles aqui explica porque feliz e triste) - o tempo passa... 16:13 Sábado, Janeiro 31, 2009
NO MEIO DA MADRUGADA
parei sem saber como numa estação de metrô de superfície. Era São Paulo mas não era São Paulo. Paisagem que eu nunca tinha visto antes. Bairro onde eu nunca fui. Era a linha norte-sul, eu não percebi que os caminhos eram tão deteriorados. Uma extensão quase a perder de vista de casas feitas de escombros, sacos de lixo, restos de restos. Nem favelas são assim, eu sei disso. Era uma paisagem dos lugares mais desolados da África. Ou a Europa do pós-guerra. Ou Oriente Médio bombardeado. Eu dizia a mim mesma que o vagão em que estava não podia ser metrô, apesar de ser chamado assim. Era antes um trem muito antigo, renovado com peças de linhas de transporte de outros países. Importação de tecnologia ultrapassada. No trem, uma colega da sétima série, que desde então não havia encontrado. Ela não estava preocupada. Íamos descer do trem para conhecer a região. Outra pessoa nos aconselhou que não, que a gente deveria continuar até a última estação (Jabaquara?), e depois voltar direto de onde saímos, o centro da cidade. Dava pra avistar poucos prédios ao longe, numa paisagem que se movia. Lá era de onde eu tinha saído e para onde voltava, sem conhecer a gente que morava toda naquele terreno tão plano e sem fim. Depois disso acordei, fiquei um tempo digerindo a comida gostosa da véspera. Voltando a dormir seis da manhã, sonhei com o inverso. Uma avenida Paulista renovada, ampliada. Limpinha, arborizada. Um prêmio seria oferecido a paulistanos exemplares, a pessoas que mesmo anônimas trabalhavam pelo bem comum. Cada uma dela teria uma estátua, assim como as de Buda reclinado na Tailândia.
Street Fighter contribuindo no repertório cultural de algumas gerações... este é o cenário do Sagat! Alguns deles eram descendentes de orientais. Acompanhei a história de uma delas: uma bela chinesa que com suas aulas de dança contemporânea ajudou a vida de muita gente. A chinesa era a atriz de Livrando a cara, a mãe da médica sapata.
Mas no meio das festividades para a entrega do prêmio, havia espionagem profissional. Um perigo espreitava o evento. Alguém como George Clooney investigava o assunto. Uma ex-namorada do espião aguardava-o na avenida Higienópolis. 17:17 Quinta-feira, Janeiro 29, 2009
SONHEI QUE
Obama tinha morrido.
ele - de verdade, não como a Palin - no Saturday night live... Sim, o Obama, presidente dos Estados Unidos e tudo o mais, ele mesmo. Foi um choque no mundo todo. Algo como a queda das torres gêmeas. Uma tristeza que só. Clima de "the dream is over". Para onde vai o mundo? Culpados? Talvez um extremista estadunidense que não achou graça com o resultado das eleições, com o fato de que a posse aconteceu. Alguém que não está nem aí pro fato de que Obama já está cumprindo promessas de campanha. Onde aconteceu? Não sei, pode ser em Davos. Poderia ter sido um acidente, um problema de saúde que atacou de maneira fulminante. Só sei que a força do sonho foi tanta que hoje abrindo uma notícia falando nele, eu logo pensei: - Nossa, mas ele não morreu? 18:59 Quarta-feira, Janeiro 28, 2009
UMA DAS COISAS
mais legais de se fazer em janeiro é justamente arrumar armários e gavetas. Tirar caixas empoeiradas do quarto de bagunça, descobrir vestidos escondidos que você nunca usou no fundo do guarda-roupa. Mandar sapatos velhinhos para o sapateiro, trocar as plantinhas para vasos maiores, doar livros para bibliotecas, amigos e afins. Organizar os papéis todos, extrato de banco, certificados de palestras, fotos de viagem, cartões postais bobinhos. Jogar muita coisa fora. Isso tudo eu consegui fazer. Falta assistir a milhares de filmes arquivados no computador, outros em DVD na estante, emprestados que eu não devolvi, meus que eu comprei e nunca vi. Entre outras coisas dessas, comecei um projeto ambicioso e importantíssimo: passar as fitas cassete que tenho para meio eletrônico. Salvá-las do apagamento que vai acontecer mais cedo ou tarde. Dá medo perder tanta coisa que eu gravei com meus irmãos na pré-adolescência, com o nosso primeiro gradiente.
Essa foto achei na internet, mas o nosso está guardadinho, uma das poucas coisas que conseguimos conservar! Além de gravar muita música das rádios, coisas como George Michael, Information Society, Boy George, Paula Adbul, entrevista da professora Helena do Carrossel, a gente fazia os nossos próprios programas de rádio. Eram entrevistas, músicas que inventávamos, ou fazíamos regravações, como a música de Fagner na abertura de Pedra sobre pedra. Durante a época das eleições, tínhamos o nosso próprio horário político.
Tirei a foto simpática dessa página aqui, que reúne fotos lindas de cassetes A gente comprava fitas dessa daí, Ferro Extra, o que era um enorme avanço: melhor qualidade do som, duração de 90 minutos, 45 de cada lado. As fitas eram poucas, às vezes tinha que regravar coisas, apagar outras. Era assim, uma pena.
Tanto que um dia peguei uma fitas dessas laranja, que meu pai tinha gravado com meus bábábá de bebê, eu fiz uma entrevista com a família. Começava assim: "Hoje é 31 de dezembro de 1992, último dia do ano. Estamos aqui com a Gabriela. Gabriela, esse ano foi um dos mais marcantes para você? O que você mais gostou nesse ano, um dos anos mais legais?" 1992 tinha sido legal para mim porque fui para a quinta série, eram vários os professores, tinha matérias novas na escola. Por isso. Essa parte da fita, sei lá eu como, foi apagada enquanto estava tentando passar pro computador, não existe mais. 16:49 Sábado, Janeiro 24, 2009
SEMPRE ME PARECEU
um dever, para mim, a leitura da produção literária brasileira contemporânea - um dever daqueles que eu não sigo como gostaria. Não somente para alimentar o repertório de assuntos em rodas de colegas em festas e jantares. Mas pelo fato de que são obras de pessoas que estão aí, andando pelas ruas, pessoas com as quais podemos encontrar e falar. Já fui apresentada ao Miltom Hatoum, por exemplo, e fiquei vexada de conhecer a obra dele de longe somente. De não ter lido nada, nem que fosse para falar mal. Até hoje ainda não peguei nada do Hatoum para ler... porque a prioridade foram as leituras obrigatórias do curso. Enfim, mas encontrei no trabalho que fiz em dezembro para a rádio francesa (merci enorme para Daniela Prado) o escritor Bernardo Carvalho, e gostei muito da postura dele, da maneira como colocava suas opiniões. E é um cara respeitável e tudo. Sabia que o último livro tratava da imigração japonesa em São Paulo. Aí fiz o percurso básico até a livraria comprar O sol se põe em São Paulo, lançado em 2007.
E não somente: comecei a caçar na internet entrevistas e coisas do tipo. Enquanto lia ainda o livro, peguei esse texto da revista rascunho, no qual Bernardo levanta as questões que toda pessoa envolvida com literatura (seja escrevendo, seja lendo ou estudando) se faz: para que serve a literatura? serve para alguma coisa ou não tem que servir para nada mesmo? De uma maneira ou de outra, Bernardo Carvalho leva à sério a reflexão, e a coloca de maneira central neste romance, resultado talvez de um impasse no qual ele se encontrava depois de dois livros bem-sucedidos. Ligado ao pensar-sobre-literatura, ele constrói ao mesmo tempo uma investigação, de retorno às origens, romance de viagem e de aprendizado, coisa do romance por excelência. Por mais que em alguns momentos force a mão na linguagem, tentando ser muito explícito, ou muito explicativo, o que para mim cansa, aprecio o fato de um livro prender a leitura. E foi o que aconteceu comigo. Lia grudada ao livro. E viagens distantes, pelo que me parece, estão sendo mais frequentes para Bernardo. Ele que foi ao Japão, para escrever o livro (poderia ter feito como Chico Buarque em Budapeste, escrever sobre um lugar sem ter ido?...) sem ajuda financeira, com poucos recursos próprios, ficou um mês em São Petersburgo por conta de um projeto bem ambicioso, Amores expressos: dezesseis escritores brasileiros em diversos lugares do mundo escrevem histórias de amor, mantêm um blog durante a viagem (o de Bernardo aqui), para que depois os livros sejam adaptados ao cinema. Interessante, não? Voltando a O sol se põe em São Paulo, uma coisa ele vai deixar comigo: a idéia de que as histórias são essenciais para vida, e que devemos ouvi-las e contá-las, antes de morrermos. 16:53 Sexta-feira, Janeiro 23, 2009
SOU MAIS DA PROSA
que da poesia, e o que me atraiu ao livro de Nathalie Quintane, Começo (Début), publicado em 2004 pela 7letras e Cosac&Naify, foi o sub-título entre colchetes: [autobiografia]
Je m’appelle encore Nathalie Quintane. Je n'ai pas changé de date de naissance. J'habite toujours au même endroit. Je suis peu nombreuse mais je suis décidée. Eu ainda me chamo Nathalie Quintane. Não mudei de data de nascimento. Ainda moro no mesmo lugar. Sou pouco numerosa mas sou decidida. Assim ela se apresenta no site do seu editor, onde ela mantém uma produção considerável, regular e constante. Além das publicações, Nathalie faz leituras públicas e vídeos de seus poemas. Autobiografias em poemas como Começo, que se assumem como tal, são menos comuns, mas existem. Nesse caso, Nathalie página a página, com poemas em prosa e com a dicção da prosa, recupera momentos e objetos da infância, adolescência, até um fecho pouco positivo, "a entrada no mercado de trabalho". Acho que se pode ver os poemas de Começo como um todo, ou pelas seções que dividem o livro e ficam cada vez menos marcantes, ou separadamente. Prefiro considerá-los pelas seções, deixar algumas dessas seções de lado, e dizer que as que mais apreciei foram as iniciais. Talvez as menos autobiográficas, uma vez que elas discorrem sobre fatos corporais, as sensações destacadas da inércia rotineira. Me lembrou Amélie Nothomb e sua vida de bebê-cano, que ela narra em Metafísica dos tubos. Um trecho: Começo 4 Porque não nasci com uma colher na boca, é preciso a cada vez que ela chegue de fora. (...) Porque o meu nariz não cresceu para dentro, é o fora que eu respiro. (...) Porque os meus ossos estão ligados por nervos e por músculos, sou feita de uma só peça. (...) Só de botar o dedo na água, sente-se bem que não é assim tão natural que ele esteja normalmente no ar. Desnecessário dizer o seu nome corretamente para saber que é este aí. A constante descoberta do corpo como movimentos e possibilidades me pareceu um traço da poesia de Nathalie. Falo isso também por conta do vídeo a seguir: O blog da revista Modo de usar fala melhor que eu sobre a autora e apresenta outro trabalho em áudio. Tudo devidamente traduzido para o português. Legal saber que eles são da livraria Beringela, um lugar muito bacana que visitei lá no Rio. 15:29 Segunda-feira, Janeiro 19, 2009
LEMBRO POUCA COISA DO SONHO
desta noite, exceto pelo fato de que eu era pequena, tinha uns dez anos, e a Lúcia era adolescente. Nós dançávamos com botinha marrom e meia calça rosa, com um fundo chroma key de praia. Pra completar, o cabelo das duas era chanel e tinha permanente. Éramos mais ou menos Marina Lima em começo de carreira. Acordando me dei conta de que isso foi totalmente baseado no clipe da LaRoux, Quicksand, que achei demais, por ser tão anos 80. Ela que deve ter nascido depois da queda do muro de Berlim. 20:16 Domingo, Janeiro 18, 2009
JÁ FAZ MUITO TEMPO
quero falar dele. Glover Gill é responsável por uma das trilhas sonoras que mais ouço, a do filme que igualmente me acompanha sempre, Waking life. É uma trilha aconselhável para os momentos mais felizes ou mais angustiantes, como os finais de semestre cheios de textos para escrever. Glover nasceu no Texas, e por essa razão poderia estar mais para caubói do que para músico de tango. Mas veja que em algum momento da vida, ele decidiu estudar o ritmo argentino, assim como muita gente por aí, que vem sendo classificada de "novo tango". Ao que me parece, Glover Gill e o grupo Tosca tango orchestra, que ele mesmo fundou e abandonou depois, não promove tantas inovações no gênero, como faz Gotan project, por exemplo. Não faz fusões com outros ritmos, mas aposta nos instrumentos típicos do tango, no acordéon, para criar movimentos rápidos e apaixonantes. É lindo o que eles fazem - e o resultado no filme. A trilha composta por Glover é muito ligada ao filme, também pela razão de que ele mesmo a Tosca tango orchestra aparecem no filme, fazendo justamente os ensaios das músicas da trilha! Aí vai um pedacinho do começo de Waking life: A foto que abre o post é igualmente linda, não? Glover está ao piano. Ele perdeu uma perna num acidente de moto, como usar então o pedal do piano? Fica realmente difícil... mesmo com uma perna mecânica, ele tem que olhar para baixo ao pisar no pedal. Aos 49 anos, com cara de rockabilly e cheio de tatuagens, diz estar ainda aprendendo tango. Diz que tango é muito difícil, mas que vai continuar com o tango até o fim da vida. Sem Glover, Tosca tango orchestra continua na ativa, como Tosca string quartet, enquanto o novo grupo de tango de Glover, Glovertango toca às quintas-feiras num barzinho em Houston, sua cidade natal. 23:21 |