COLHER

Colheradas sobre LITERATURA, CINEMA, MÚSICA, SONHOS e AMIGOS. COLHER também desencava umas COISAS DO PASSADO entre outras coisas que nem ela mesma sabe.






Apertar uma colherinha entre os dedos e sentir seu latejar metálico, sua advertência suspeita. Como custa negar uma porta, negar tudo o que o hábito lambe até dar-lhe uma suavidade satisfatória. Quando mais simples é aceitar a fácil solicitação da colher, usá-la para mexer o café.

Julio Cortázar em Histórias de cronópios e de famas











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Terça-feira, Agosto 26, 2008
OS LINKS AO LADO

é engraçado olhar para eles, aí à esquerda, um atrás do outro. Quando dá, coloco alguma coisa nova, mas é raro. Por outro lado, mais raro ainda é tirar links. Tem página que, me dei conta, não existe mais. Vai saber quantas. Eles estão aí mais pelo que já foi o COLHER, cinco anos atrás. 2003 é um marco legal, um momento em que tudo era confortável, saltitante. Em 2004, acho, sim, é que foi um ano problemático, chatinho, muito cinza.

21:18

Segunda-feira, Agosto 25, 2008
NESTE SÁBADO

sob a justificativa - legítima e nobre - de selecionar vídeos para mostrar aos alunos, fiquei a tarde (oh! tendo tanta coisa pra fazer...) assistindo duas séries francófonas. Digo francófonas e não francesas simplesmente porque uma foi criada no Québec depois exportada para a França - trata-se de Un gars, une fille, cuja versão quebequense eu acho estranhésima e a francesa uma graça.

Caméra café é produto de exportação francês mais recente que Un gars une fille que é bem anos 90, que não emplacou somente no Québec mas em muitas partes do mundo. Inclusive acabou aportando no SBT e lá não sobreviveu por mais do que uns seis meses. Infelizmente o pessoal que cuidou da adaptação aqui no Brasil não entendeu muito o espírito da série tal como ela foi concebida, bem ácida e politicamente incorreta. Na versão do Québec, por exemplo, durante um episódio inteiro uma funcionária fica mostrando o silicone que ela acabou de colocar pros colegas de trabalho, para testar a reação deles, em outro o casual friday é oportunidade para uns funcionários se provocarem. Aí vai uma seleção das versões em diferentes países:


como os italianos são animados, né?

Caméra café virou filme na França, e acredito que a mania dessa série está diminuindo. Tanto que os DVDs das temporadas eram vendidos numa loja de 1,99 de lá... - ha, eu nem comprei! Un gars une fille acabou faz tempo. Os dois atores de Un gars.., que por sinal têm os mesmos nomes dos personagens da série, Alexandra e Jean, acabaram se casando entre uma temporada e outra, influenciados pelos personagens - que gracinha! Jean Dujardin é hoje tem uma carreira promissora no cinema francês. Alexandra Lamy vai ver virou dona de casa, não sei... haha, não! Ela tem trabalhado em várias produções com Jean Dujardin, incluindo uma versão em filme de Lucky Luke, o faroeste francês em quadrinhos, que vai sair em 2009.



O que há em comum entre as duas séries, chegando à conclusão depois de explorar tudo o que há no youtube, é que elas são sketches curtos, com a câmera parada. É isso.


23:26

Domingo, Agosto 24, 2008
SONHO ANOTADO NO CADERNO
entre parênteses comentários que vou fazendo agora

Tinha um tipo de festa anual no Mc Donald's (quando peguei isso pra ler agora, pensei que não era o relato de um sonho), em que toda a loja mudava de visual, seguia algumas linhas temáticas (será que isso existe em algum lugar?). Luís e eu resolvemos ir visitar, por mais que isso nos supreendesse. Na porta, havia uma lista dos temas trabalhados na decoração: muita coisa americana, nomes de lugares, Texas, Kentucky (será que igualmente estavam no sonho Ohio, Mississipi, Minneapolis, Kansas, Dakota, Minnesota, Illinois, Missouri, Tennessee, Idaho, Iowa, Alabama - toda essa região com nomes sonoros, que não era as gloriosas treze colônias - quando me dei conta de que esses nomes têm origens indígenas...) mas também Mardi gras e Rushmore (algo bem americano para ter sido sonhado na França).

Vendo Rushmore logo pensei no filme do Wes Anderson - (por isso) entramos.
Chegando no segundo andar, passamos antes por poltronas fofinhas decoradas, cores muito bem escolhidas. E Rushmore não era o filme, mas o monumento, aquelas caras talhadas na montanha. Tudo bem.


direto da assessoria de imprensa da White House

(só dá vontade de visitar o monte Rushmore por conta do nome do filme e pelos desenhos antigos do pica-pau, que reesculpia o monte à sua maneira)

Lá eu comecei a fazer propaganda de umas roupas meio infantis, camisetas coloridas e cuecas e calcinhas para crianças, com partes de borracha.Não sei se eu, mas uma menina loira usava as roupas, como modelo para incentivar a venda (enquanto as pessoas comiam lanches por trás de papéis de parede bem coloridos).


13:38

Sábado, Agosto 23, 2008
KAREN CUNHA ME LEMBROU

como sempre me lembra do que não lembro. Tenho que agradecer a ela.
Me lembrou que faz dez anos eu namorei por nove meses um guarda civil que tinha dez anos a mais do que eu. Eu contava isso para o pessoal da escola e tenho certeza de que todo mundo achava que era balela.
Ele havia acabado de entrar nessa nova profissão, trabalhava vigiando um dos portões do parque do Ibirapuera. Como tinha uma rotina puxada de policial, eu o via muito pouco, bem pouco para o que se considerava namoro, uma vez por mês. Eu ligava para a casa dele, a mãe atendia. Mandava recados no bipe, às vezes na secretária eletrônica. Calculava quando ele estaria trabalhando e ia ao parque do Ibirapuera. Quando eu também podia, porque na época eu trabalhava no Mc Do. Estava no terceiro colegial, pensando na faculdade, ensaiando Vestido de noiva e Gota d'água na escola.

Ele cada vez que o via, estava com um carro diferente: de fusca passou para chevette para uno mille e palio, ou corsa. Carioca da zona norte, tinha sido seminarista, fã de Cazuza e Simply Red, ex-guitarrista de banda de jazz, estudante que largou a faculdade de psicologia porque ele desafiava os professores. E sabe-se lá mais o quê, tudo muito glorioso para um cara que trabalhava como segurança. Ah sim, importante, tinha uma filha com uma moça seis anos mais nova do que ele.
Um dia me levou para passear de carro com meu irmão. Veio mostrando que sabia dirigir viatura, costurando na 23 de maio, piscando o farol pro pessoal sair da frente. Subiu a ladeira da rua perto de casa na contra-mão. Vergonhoso quando a polícia chegou.
Dei um CD de presente e ele me devolveu, dizendo que não precisava. Numa das visitas aos meus pais, pediu para comer limão com sal.
Justificava as longas ausências dizendo que estava cuidando do coral de crianças da igreja de Vila Santa Catarina.

Eu não ligava pra esse monte de histórias, nem me incomodava de ele cantar "tô com saudade de tu meu desejo", apesar de achar isso razoavelmente brega. E que as histórias dele eram muito infundadas. E que era bem absurdo ele ficar chateado porque eu ia prestar vestibular e entrar na faculdade.
Fui levando até o dia em que fiquei com o Rogério. Depois de uns vinte dias que eu não ligava para ele, ele me liga:
- E aí, tá tudo bem?
- Tá, eu não quero mais te ver.
- Como assim?
- É isso mesmo, acabou.
Era agosto, como agora. Depois me ligou em dezembro, dizendo que eu era alguém especial.
Depois de rememorar tudo isso ontem, o que me deixou espantada é que agora tanto eu como o Luís temos a idade dele. Mesmo assim, ainda bem, acho que estou longe disso. Só uma impressão...

23:22

Sexta-feira, Agosto 22, 2008
ANTI-INVENTÁRIO

Nada como fazer uma lista de algumas coisas não feitas, e que não poderão mais, porque tarde demais:

1. não procurei o tradutor do Corão para o português, que era tio do marido de uma francesa que conheci;
2. não liguei para uma ex-colega de trabalho que queria falar comigo quando voltou a morar em São Paulo, também não tentei saber se ela estava no metrô Santana certo dia;
3. não participei de um concurso internacional de desenho para livros infantis, cujo tema era uma das minhas obras literárias favoritas, Alice no país das maravilhas;
4. não fui recentemente a uma palestra que iria me agradar muito;
5. hoje não fui visitar o museu da língua portuguesa com o professor de literatura especialista no assunto e com a turma toda.

Ainda bem há coisas que não fiz e ainda posso fazer.

18:20

Quinta-feira, Agosto 21, 2008
DEVE FAZER UM ANO QUASE

por um acaso dos acasos vi que uma bandinha feliz sueca (quase uma redundância) vinha inacreditavelmente para São Paulo, Suburban kids with biblical names. Tínhamos ouvido algumas músicas deles na Internet e achávamos que ficaria por aí, as músicas deles levando a outras e mais outras escandinavas.

((Duplo-parênteses: como todo esse povo sueco que já se apresentou mais de uma vez aqui em são Paulo vem pra cá? Eles conseguem ganhar algum dinheiro ou literalmente pagam para atravessar o Atlântico e o hemisfério?))

Então fomos ao Studio SP vê-los. Se a gente soubesse que eles também tocaram no Sesc... o problema do Studio SP onde ele se encontrava antes (agora tá tão pertinho!) era a má organização da "sala de shows", estreita e comprida. O número de fãs das bandinhas suecas era grande, e tratava-se de pessoas razoavelmente sem noção. O que nos fez ouvir as melodias alegres dos garotos suburbanos com nomes bíblicos do lado de fora da sala. Ao menos através de vidros.

Mas quem abriu o show foi uma grande e agradável surpresa pra gente, Luís, eu e acho que o Max também.


gostei da bateria...

Maia Hirasawa. O nome dela não soa bem sueco, né?
Ela cantou sozinha no palco, mais ou menos aí como nessa foto. Nada além de um violão e uma voz como poucas, forte e doce. Assim como as letras das suas músicas, que conseguem ser engraçadinhas e melancólicas, falando de coisas como a ruptura de um relacionamento pelo myspace, ou seu retorno à cidade onde ela tinha morado anos atrás, ou sobre encontrar um cara hiperdesinteressante numa cidade perdida em qualquer lugar na Suécia.
O pessoal sem noção já chegando durante a apresentação, começaram a encher o saco da mocinha, e além disso, um falatório imenso realmente abafava a apresentação.
Uma peninha...



Será que ela volta esse ano na próxima invasão sueca?
Se voltar, fica aqui registrada a minha sugestão: ela se apresentar no teatro do Sesc Pompéia, pra gente ver sentado e sem muito falatório.


23:36

Quarta-feira, Agosto 20, 2008
ESTOU COM FOME

mas como muitas vezes ultimamente, tenho achado comer uma tarefa, uma obrigação.
É o que diz na Bíblia: comerás o pão com o suor do teu rosto. Ai.
Não... Realmente há coisas muito legais de se comer, falafel, salmão, sorvete, leite de soja com polpa de fruta, sopa de mandioquinha no frio... a lista seria imensa. E como eu não consigo fazer listas, priorizar coisas, já viu. Será por que eu escrevi falafel antes de qualquer outra coisa quer dizer que falafel é minha comida favorita? Sei lá, talvez não. E por que não?
Enfim, algumas vezes acho triste comer. Ter que comer sem ter opção, brownie, cookies, croissant de dois queijos. E por aí vai.
Fico em alguns momentos como esse pensando se houvesse a possibilidade de não precisar comer para viver (a gente poderia pagar uma mensalidade no lugar, algo do tipo) eu a escolheria.


23:41

De volta ao começo